quinta-feira, 26 de julho de 2012

ILUSÃO RACIONAL



Um mês...
Pode ser insignificante, pode ser eterno.

A linha que separa uma dimensão da outra é tudo menos linear.
Não há razão que defina o espaço temporal entre dois momentos que não esteja condicionada pelo poder incomensurável das sensações. Que é aquilo que realmente importa.

Um amor, uma vida.
Indissociáveis pois não há vida sem amor, pelo menos nenhuma que valha a pena viver. Jonhy Cash (no video acima) diz-nos que a dor é a única coisa verdadeiramente real e que podemos ter tudo. Nem a dor é provavelmente a única coisa real, nem aquilo que podemos ter poderia ser TUDO, pois a maior parte de nós quer o que não sabe que não quer e o que não sabe que não precisa.
Até eu fiquei confuso...

Perto ou longe?
A distância, tal como a grande maioria das coisas que nos rodeiam, é uma tremenda ilusão. Não há distância apenas porque a pessoa está a milhares de quilómetros, ela manifesta-se de forma bem mais real quando temos a pessoa ao nosso lado e a sentimos do outro lado do Mundo. Quando se perde a noção de partilha, de respeito e essencialmente, a noção de relação. E inevitavelmente, quanto maior a distância, maior a dor.

Certo ou errado?
Toda a gente se preocupa demasiado em perceber se está certo ou errado, quando essa é apenas mais uma ilusão. Elas não existem, existem apenas as consequências dos nossos actos. E quando devíamos estar preocupados em lidar com essas consequências, dedicamos todas as nossas energias a desculpabilizar-mo-nos e a tentar a absolvição suprema sem percebermos muito bem o real significado que esse perdão deve ter.

(Re)encontros.
O Mundo é grande demais, muito propício a desencontros. E no objectivo de nos tornar-mos mais maduros, responsáveis e nos redescobrirmos como indivíduos, receio que não saibamos encontrar o caminho de volta. Que, apesar de tantas e tantas vezes terem existido dúvidas e conflitos, continua a ser o único que sinto vontade de seguir...

(In)diferente.
Por isso a grande maioria das coisas que nos rodeia são uma eficaz ilusão. Eficaz porque continuamos convencidos que a nossa vida deve ser igual à de tantos outros, continuamos a acreditar que ser diferente é errado.E andamos tão desesperados por sobressair num Mundo cada vez mais fodido que nem percebemos que só somos notados quando estamos mais fodidos que todos os outros à nossa volta.
E já que estou nesse registo... Para mim pouco importa se todo o Mundo me diz que estou fodido porque continuo a olhar á minha volta e a ver que todos andam bem mais fodidos que eu!

(Sem)sações
E esse desespero em sobressair cria outro, a necessidade de sentir. Seja o que for. Tanto que minamos o nosso caminho criando ilusões (sempre ilusões), expectativas e objectivos. O pior é o resultado ser quase sempre o mesmo. Se concretizamos esses objectivos temos uma sensação de realização que nos acalma e nos confere alguma segurança. Mas que é passageira, passado uma hora, um dia ou um mês já nada acrescenta à nossa existência. Se falhamos esses objectivos o sentimento de frustração é imediato e, ao invés, não é passageiro, como se fosse necessário alimenta-lo para justificar tudo aquilo que não conseguimos ser ao longo da vida.

Sensações Fast-food e Low-Cost
Por isso procuramos cada vez mais alimentar a alma com sensações imediatas. Tudo o que brilhe, não exija muito esforço nem dedicação e esteja ao nosso alcance nós pegamos. Quanto menos trabalho der melhor. Sensações fugazes e que, de preferência, não abalem muito a nossa frágil condição humana. Porque nós não sabemos lidar com a cada vez mais crescente complexidade das nossas emoções, porque cada vez mais fugimos da nossa essência, daquilo que somos, para nos tornarmos apenas mais um.
Acho que ninguém percebe muito bem quando, mas há um momento na nossa vida em que nos perdemos. Em que mudamos as nossas prioridades, a nossa forma simples de ver o Mundo. Em que perdemos a capacidade de brincar, de viver e sonhar. Em que sofremos por coisas que não deveriam ter significado e esquecemos aquelas que realmente deveriam importar...

Talvez por isso, no meio disto tudo, nem a Dor seja Real...

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Esfoira Emocional


Pára…
imagem da net
Respira fundo…
Abre os olhos e observa tudo à tua volta…
O que vês?

Nada…

Estou cego. A única coisa que distingo são os sons que me envolvem mas mesmo esses são distorcidos e incompreensíveis. Começam a aumentar de tom e sou obrigado a tapar os ouvidos. Mas não resulta, o ruído é cada vez maior e começa a enlouquecer-me. Não consigo mover-me mas mesmo que conseguisse não vejo nada, não saberia para onde ir. A cabeça ameaça explodir a qualquer momento. Tento lembrar-me de algo que possa ajudar a aliviar a dor mas as dores insuportáveis cortam-me o raciocínio impedindo-me de pensar!

Deixo-me ficar parado à espera que algo aconteça. Mas nada. Seria suposto acordar agora mas já desisti de pensar que isto é um sonho. Precisava da sensação de alívio depois de um sonho mau. De sentir o coração acalmar aos poucos até voltar ao normal. De sentir que isto não está a acontecer.
Mas está…

E é incontornável de tão distorcidamente real. Perco a noção de tudo à minha volta e não consigo encontrar-me. Se ao menos pudesse abrir os olhos, talvez aí conseguisse perceber o sentido das coisas, talvez conseguisse encontrar-me e contornar a inevitabilidade de uma morte lenta e dolorosa, mergulhado no amargo e viscoso líquido verde que me envolve.

Moral da história: a ressaca é fodida mas vomitar ajuda!

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Aleluia Aleluia, o blogue ressuscitou!


foto da net

É verdade, estou de volta.

Foi difícil porque já nem me lembrava da password. Tentei o nome do cão, dos gatos, a data em que perdi a virgindade, todas as combinações de números e letras possíveis e de tudo o que de relevante aconteceu na minha vida e que eu pudesse ter usado como password mas nada resultava...

Foi em conversa com um amigo há uns dias atrás que surgiu esta vontade de voltar.
-Então e o teu blogue?

No inicio nem associei porque já nem me lembrava que em tempos escrevia com regularidade (pelo menos mais regularmente que agora) e fiquei por segundos a pensar a que é que ele se referia.

- Nunca mais escreveste nada! Já lá vai quanto tempo?
- Hiiiii, o blogue! Sei lá bem, já deve ter passado meio ano desde a última vez que lá fui!
Digo isto, ele muda de expressão e exclama fria e vagarosamente:
- O teu blogue morreu!

Não posso dizer que tenha ficado em pânico, foi mais ou menos a sensação de conformismo perante algo que me pareceu lógico. Mas não, não podia deixá-lo morrer…

Uso os meus conhecimentos em suporte básico de vida mas sem sucesso, liguei para o INEM, para o bombeiro de Favaios, para a polícia, para a redacção da TVI (ressuscitaram o Goucha e a Teresa Guilherme)…
Nada. Ninguém me podia ajudar e não me restava outra solução senão preparar-me para fazer o luto! Ligo para a agência funerária para tratar de tudo em relação ao funeral enquanto ligo a internet para declarar o óbito. Eis que ao faze-lo me surge a opção “ajuda”.
Tentar não custa – pensei.

Entrei e a primeira pergunta que surge é “Pretende ressuscitar o seu blogue e voltar a perturbar as almas que nestes 6 meses puderam finalmente ter paz?” Respondo de pronto que SIM!

Surgem desde logo uma lista de condições para que isso fosse possível. As que mais me chamaram a atenção foram:
- Escrever sem estar sob o efeito de álcool.
- Não postar fotos ou vídeos de gatinhos, de bebes a babarem-se enquanto comem, de ondas do mar em câmara lenta ou de hienas a masturbar-se.
- Não postar nada que possa ser considerado susceptível de ferir a susceptibilidade dos leitores (inclui o capachinho do Tony Carreira, as coxas da Popota, as mamas da Susana de um programa da TVI, entre outros…)
- E nunca, em qualquer circunstância, postar algo relacionado com sexo!

Começo a pensar que será impossível dar vida ao meu blogue. Já tinha preparado um vídeo de 12 minutos dos meus gatos a perseguir anões esquizofrénicos, uma foto da Popota a insinuar-se ao ministro das finanças e um texto que corrobora a tese que o sorriso ininterrupto das hienas resulta da masturbação constante…

Mas não vou desistir. É possível contornar as dificuldades.
Um dos maiores filósofos de sempre disse em tempos: “A masturbação com a mão esquerda pode ser mais demorada mas é possível”.

Tenham medo… muito medo… Os devaneios estão de volta ;)

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Confusões com a Autoridade – Parte II



A segunda-feira por si só já é um dia difícil. Apesar disso até acordei bem disposto apesar das dores provocadas por um escaldão durante o fim-de-semana (não na praia, mesmo na horta!). O incontornável incómodo que tal facto origina obriga a alguns cuidados como espalhar pomada nas costas para minimizar os estragos.

Arranjo-me para ir trabalhar e depois do banho trato de me besuntar todo! Ora, para não manchar a camisa trato de ir pró trabalho em tronco nu. Pela primeira vez decido experimentar um caminho diferente para ir trabalhar, supostamente mais perto (e de facto confirmou-se mas bem mais longo, pelo menos hoje).

Dez minutos depois de sair de casa sou mandado parar pela polícia bem no centro da vila. Encosto e desligo o motor.

- Bom dia – diz ele com desconfiança.
- Bom dia? – pergunto – Olhe bem a minha sorte, a primeira vez que venho por este caminho sou mandado parar pela polícia!
- E conduzir em tronco nu, também é a primeira vez?
- Isso não, já o fiz várias vezes e até já conduzi completamente nu, mas só uma vez.

Ele continua a olhar-me com desconfiança e até alguma rigidez com uma mão pousada na ombreira da porta e a outra no cassetete. Os pelos do meu peito estavam a deixa-lo inquieto. Pede-me os documentos do carro os quais vou buscar ao banco de trás e volto a entrar no carro enquanto ele o inspecciona!

- Você não sabe que não pode conduzir em tronco nu?
- Não posso? Não conheço nenhuma lei que o impeça!
- E há algum motivo para estar a conduzir em tronco nu?
- Precisava arejar os pelos do peito e durante o fim de semana apanhei um valente escaldão e como coloquei pomada nas costas não vesti a camisa para não a manchar.
- Sabe até quanto pode ir uma multa por conduzir em tronco nu?
- Não sei e duvido que o Sr. agente me possa esclarecer.
- Posso, garanto-lhe que posso! Vai dos 30 aos 300 euros mas normalmente nestas situações é aplicada a infracção mais baixa, de 30 euros.
- Se me mostrar onde esta escrito que tenho de conduzir vestido eu pago a multa.
- Não preciso de lhe mostrar nada, alem do mais é uma questão de bom senso e de segurança na condução.
- Tem de me explicar em que medida é que eu estar ou não com camisa vestida me torna um condutor mais seguro! E desculpe lá mas tem de ser rápido porque há pessoas que ainda trabalham neste país e não gosto de chegar atrasado. Se ainda fosse uma mulher de tronco nu percebia que me retivesse tanto tempo, assim…
- Se fica ou não mais tempo sou eu que decido! Desta vez escapa mas nunca mais o quero ver a conduzir em tronco nu! E vista lá a camisa que a pomada já secou há muito tempo.

Visto a camisa, despeço-me e sigo viagem!

Entretanto fui pesquisar na net e a lei é omissa, não há nenhum artigo que proíba a condução em tronco nu, de chinelos, descalço ou mesmo nu. Já no caso de ser uma mulher a conduzir em tronco nu a lei estimula-o e até dá direito a vantagens fiscais… Não dá mas devia! Aliás, elas são as únicas prejudicadas neste caso pois, caso uma mulher a conduzir em tronco nu seja responsável por um acidente (algo altamente provável), pode ser multada ou apanhar até um ano de prisão!
Motivo e é a mais pura verdade: EXIBICIONISMO ;)

domingo, 22 de maio de 2011

After The Storm

Há muito que ando para postar esta música mas agora tinha mesmo de ser. Basicamente por três motivos:
1. A música é simplesmente linda
2. A letra é absolutamente arrepiante
3. Porque, nesta altura, tem tudo a ver! Sem tristeza, mágoa ou melancolia. Apenas fé, amor, certeza e esperança...




And after the storm,
I run and run as the rains come
And I look up, I look up,
on my knees and out of luck,
I look up.

Night has always pushed up day
You must know life to see decay
But I won't rot, I won't rot
Not this mind and not this heart,
I won't rot.

And I took you by the hand
And we stood tall,
And remembered our own land,
What we lived for.

And there will come a time, you'll see, with no more tears.
And love will not break your heart, but dismiss your fears.
Get over your hill and see what you find there,
With grace in your heart and flowers in your hair.

And now I cling to what I knew
I saw exactly what was true
But oh no more.
That's why I hold,
That's why I hold with all I have.
That's why I hold.

I will die alone and be left there.
Well I guess I'll just go home,
Oh God knows where.
Because death is just so full and mine so small.
Well I'm scared of what's behind and what's before.

And there will come a time, you'll see, with no more tears.
And love will not break your heart, but dismiss your fears.
Get over your hill and see what you find there,
With grace in your heart and flowers in your hair.

And there will come a time, you'll see, with no more tears.
And love will not break your heart, but dismiss your fears.
Get over your hill and see what you find there,
With grace in your heart and flowers in your hair

All things to all men!


A igualdade deixou de ser um princípio fundamental da humanidade para passar a ser uma utopia.

Perdeu-se a admiração, a crença e o respeito por tudo o que cada ser humano representa individualmente. Ou conseguimos posicionar-nos num determinado estrato social ou somos marginalizados. Revolta-me a intolerância e julgamentos de valor precipitados. A igualdade de oportunidades é, sempre foi e continuará a ser um conceito impraticável, uma idéia romantizada de uma sociedade que apenas a aceitou na teoria, pois era valoroso acreditar e defender tão nobre ideal. Mas quanto mais essa necessidade de igualdade era frontalmente defendida por todo o tipo de organizações em todo o Mundo, mais se trabalhava no sentido de alargar o fosso.

E porquê?
Porque é necessário haver pobreza, é necessário que essa pobreza gerada por diversos factores como as guerras, a desertificação, a exclusão social e marginalização de grupos, etc... continue a chocar as pessoas de forma tão aterradora quanto possível para que dessa forma elas, assustadas, continuem a alimentar o sistema financeiro há muito globalizado no pior sentido da palavra. Para trabalharem como escravos (que há muito tempo e cada vez mais somos) de forma a garantir que não vão ser alvo de exclusão social. De forma a garantir que não sejam eles a aparecer nas notícias como os coitadinhos que nada têm. Há um receio tão grande de não ter nada que fazemos tudo o que está ao nosso alcance para gerar riqueza, alimentar o status e a (des)integração social. Pelo meio esquece-se o verdadeiro sentido das coisas, daquelas que deviam estar intrinsecas em cada um de nós como seres humanos que somos (devíamos ser).

Por isso, o Mundo tal como o conhecemos até se pode aguentar por muitos anos, mas a Humanidade há muito que se perdeu...

Podia escrever mais mas como dizia a minha avó "o que é demais é moléstia". Além disso a letra da música diz muito!




All things to all men
( vocals by Roots Manuva )
And now it seems
As if we're used to the shegree
We made our beds
And now we hate where these beds be
Took nothing at all to part this red sea
I'm a shackled child
Singing the good song of freedom
They've got no pride
They interrupt our grieving
Tear drops dropping
For the pain of the world
My best friend dies
When she was just a young girl
Left me here, to fend for myself
Now the pain never leaves
We just learn to cope
So when the devil needs hanging
Will you tie up the rope and shout pull
Let's put an end to this bull
Zen thing
How many years
Before we practice what we preach
How many tears
Before we truly clinch the peak
Only to find that
There is no honey on the moon
Official gloom
With the unofficial croon

I'm all things to all men
All of the women
All the children
Just say when
And I’ll take you to my Tardis
Who's the hardest
Who's the hardest

16 bar cycles
Heart felt recital
From the wacky blacky man
They should have called me Michael
Look at the monster you make
Look at the monster you pay
But you claim no responsibility
Cause it's each to his self
In these times that we live
Does god have a sense of humor
Then the joke's on us
Cause we're chasing our tails
For how long
The tussle makes us how strong
Vintage poor people fun
If we could ease up
On these booze and fags
Then, just maybe
Life wouldn't be so mad
Be a man my dad said
But what the hell he know
He lost his dreams
He lost his flow
And i don't wanna be alone
I'm born king
So where's my throne
I'm too intense
I'm too deep
I'm too nice for life
So what makes this place so nervous?

I'm all things to all men
All of the women
All the children
Just say when
And I’ll take you to my Tardis
Who's the hardest
Who's the hardest

Look at the monster you make
Look at the monster you pay
But you claim no responsibility
But you claim not
We're searching for Jesus
But I’ll be damned
If I’ll be crucified by ten thousand spies
Compulsive lies
They hate me
They love me
They hate me

Cause I’m all things to all men, all of the women, all the children
Just say when and I’ll take you to my Tardis
Who's the hardest, who's the hardest

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Ah ah, apanhei-te!!

Finalmente capturaram o Bin Laden!


Enfim, esta devia ser a notícia do ano mas preocupam-me mais as ervas daninhas na minha horta do que isso.

Desde o início que esta história está muito mal contada! Basta fazer uma questão: Quantas pessoas no Mundo podem afirmar com absoluta certeza que o conheceram pessoalmente?

Desde o início que a única coisa que se sabe dele é através de fotos ou vídeos colocados a circular na internet! E sempre em momentos estratégicos para os Estados Unidos. O que me leva claramente a admitir a possibilidade dessa personagem tão odiada no Mundo Ocidental não passar (ou não passou) de uma arma estratégica que os EU usam da forma que mais lhes convém.

Há vários casos ao longo das décadas em que isso sucedeu e que, de forma mais ou menos óbvia, serviram sempre os interesses dos EU como justificação para os seus actos extremos e que põem em causa algo tão fundamental como os direitos humanos. Nem é preciso recuar muito para encontrar um exemplo, decerto todos se lembram da ocupação do Iraque alegando que possuía armas de destruição maciça quando, na verdade, isso nunca foi provado. Mesmo os famosos bombardeamentos de Hiroshima e Nagasaki aconteceram com base em muita especulação e com muitas agências internacionais a garantir que o Japão já preparava a rendição quando esses ataques sucederam. Muitos mais casos conhecidos poderiam ser enunciados mas o que me preocupa não são os casos conhecidos, é o facto de se continuar a permitir abusos por parte das grandes potências sem qualquer respeito pela vida humana.

Neste caso em particular há várias coisas que me suscitam muitas dúvidas e acho estranho que ninguém o refira. Desde logo o enunciado acima que põe em causa a existência desta personagem. Tudo aquilo que se sabe pode facilmente ser construído e trabalhado de modo a criar um mito assustador ao nível do Papão ou dos Delfins. Depois, foi desde logo a foto exibida pelas agências noticiosas a dar conta da morte de Bin Laden. Era falsa, uma montagem. Agora responsáveis do governo dos EU vêm dizer que há fotos da sua morte mas ainda vão decidir se as divulgam ou não!

Depois outra coisa muito curiosa foi o facto de poucas horas após a sua morte ele ter sido sepultado de acordo com os rituais islâmicos! Isto é obviamente estranho porque como toda a gente sabe os EU estão-se a cagar para as crenças islâmicas e os seus rituais. Por outro lado porque estariam eles com tanta pressa em sepultá-lo? Ao que se sabe foram feitos testes de adn para aferir da veracidade de tão mediática captura. Naturalmente esses testes foram conduzidos por especialistas islâmicos e por gabinetes totalmente isentos e imparciais! Certo? Errado! Foi um responsável norte-americano que levou a cabo os testes de adn o que garante a imparcialidade dos mesmos.

Para acabar, os EU vêm dizer que não isto não termina aqui (que novidade), que se vão manter vigilantes a tudo o que se vier a passar daqui para a frente. O meu receio prende-se mais com o que aí vem, pois não me admiraria nada que nos próximos dias ou meses eles fizessem das suas com a nobre justificação da caça ao terrorista! Afinal, criaram a justificação perfeita para mais atrocidades agora que, com esta fantástica captura, ganharam créditos junto da opinião pública e instituições internacionais!

domingo, 1 de maio de 2011

Everyday!



Why Everyday?
Cause everyday is the answer for so many questions...

Do you think of me?
Do you miss me?
Do you want me?
Do you need me?
Do you care for me?
Do you want to be with me?
Do you love me?

Cause everyday isn't just the answer to those simple questions but the answer to the ultimate one:

Do you want to marry me?

terça-feira, 5 de abril de 2011

Obstáculos à Escrita



Hoje, enquanto tomava café, rabisquei umas coisitas numa folha para postar no blogue que, admito, tenho descurado um pouco.
Jantei bem, bebi um bom vinho e está uma noite serena e calma. O único barulho que ouço é o dos meus dedos nas teclas da máquina de escrever (claro que estou no computador mas máquina de escrever na mente do leitor soa sempre melhor e tem outro impacto).
Se calhar devia ir lá fora fumar um cigarro antes de começar. Bem, como hoje estou sozinho vou mesmo fumar na mesa da cozinha. Vou só buscar um cigarro…


Levanto-me, tiro um cigarro do maço pousado no beiral da lareira e volto a sentar-me.

Ora bem, vamos lá então! Espera, o cinzeiro. Onde é que há um cinzeiro nesta casa?!

Volto a levantar-me e procuro pela casa toda mas não encontro. Entretanto lembro-me que temos sempre um na mesinha da varanda. Vou à varanda, agarro o cinzeiro e volto a sentar-me na mesa.

Agora sim, prontíssimo! Porra, onde raios enfiei eu o cigarro? Ia jurar que o tinha mesmo aqui ao lado! O melhor é ir buscar o maço…

Levanto-me, vou buscar o maço à lareira e volto.

A ver se é desta! Já tenho cinzeiro e cigarros. O que me leva a uma questão tão simples quanto previsível. Acendo o cigarro com o que?! Já me estou a irritar...
Vou buscar o isqueiro e para não andar sempre a levantar-me aproveito e trago logo qualquer coisa para beber! E antes que me levante e ande à toa a decidir o que vou beber trato já disso.
Ora, vinho tinto bebi ao jantar, licor beirão sem gelo não me sabe bem, vinho do porto é óptimo mas está na parte de cima da casa (pois, que isto é uma mansão!) e não me apetece ir buscar. Cerveja é melhor não, pois da forma que eu comi hoje ainda me dá uma congestão! Olha, é mesmo isso, um copito de aguardente. Bem melhor e mais eficaz que o alka seltzer! Um minuto…

Mais uma vez levanto-me, pego num copo, sirvo um pouco de aguardente e sento-me.

Pronto, agora… Merda, o isqueiro!...

Levanto-me e vou buscar o isqueiro à banca da cozinha.

Agora sim. Estou confortável, tenho cigarros, isqueiro e um pouco de aguardente para libertar a irritação de estar há 15 minutos para escrever um simples texto, que até já escrevi no café e só deve precisar de uma revisão antes de o postar. Já posso finamente começar!

Batem à porta.

Aiiii, a esta hora?! Venho já…

Dirijo-me à porta com a folha na mão e falo com dois senhores durante dois ou três minutos. Entretanto volto a sentar-me.

Só moro aqui há meia dúzia de dias e vêm-me perguntar onde mora o Zé do Cebolo! Bem, pelo menos fui bastante útil, disse que aqui não é de certeza, por isso têm menos uma casa para procurar. Bem, vamos lá que se faz tarde! Acendo um cigarro e dou um gole na aguardente para relaxar e assentar ideias. Pego na folha… Até pegava na folha se a visse!
Ora, estava dobrada mesmo aqui ao lado, até já tinha pegado nela para começar a transcrever o texto para o computador! Será que a levei quando fui abrir a porta?!

Levanto-me, percorro o corredor até à porta e pousada na prateleira da entrada encontro-a. Agarro-a e volto a sentar-me à mesa.

Foda-se, ainda dizem que escrever é fácil! Se acontece mais alguma coisa passo-me. Até vou desligar o telemóvel para evitar mais interrupções.

Desligo o telemóvel, dou um gole no copo de aguardente, uma passa no cigarro e agarro a folha para começar a ler o texto que diz apenas:

“Logo vê lá se escreves qualquer coisa no blogue!”

Vou dormir que estou a cair de sono. Amanhã escrevo qualquer coisa…

terça-feira, 29 de março de 2011

Vem aí o Papão!!!

foto da net

Pelo que vou ouvindo e lendo, toda a gente anda muito preocupada pelo facto de Portugal estar à beira da bancarrota. Ou é de mim ou andam todos muito distraídos porque quer-me parecer que isso já é um facto incontornável há muito tempo.

Ultimamente não se fala de outra coisa senão da possível entrada do FMI em Portugal (andam mesmo muuuiiiitoooo distraídos porque eles já cá estão há anos) e das graves consequências que isso pode trazer.

Há muito tempo que nada me fazia lembrar tanto a minha infância como este tema. E não, não tive uma infância triste, pelo contrário. E quanto mais vejo do Mundo à minha volta mais saudades tenho dela!...

Mas voltando ao tema, passo a explicar. Isto da entrada do FMI em Portugal (já disse que já cá estão há muito tempo pois já?) faz-me lembrar as histórias que os nossos pais e avós nos contavam quando nos recusávamos a comer a sopa ou não queríamos ir pra cama. Segundo eles, se não obedecesse, viria o enorme Papão ou o terrível Homem do Saco (reparem que escrevo com letras maiúsculas em sinal de respeito) para “tratar” de mim.

Era remédio santo. Falavam com ar tão sério e até com alguma apreensão, como se não pudessem evitá-lo. Bastava isso para, com ar assustado e mãos trémulas, comer a sopa toda (às vezes até repetia) ou para ir a correr pra cama enfiar-me bem debaixo dos cobertores e adormecer. Agora que penso nisso nem sei como conseguia engolir comida por imaginar que podia a qualquer momento ser devorado pelo Papão ou como não tinha insónias a noite toda só de pensar que bastava um passo em falso e à porta do meu quarto estaria um homem enorme e malvado para me enfiar dentro de um saco e levar-me sabe-se lá para onde!

Esta história do FMI é um pouco parecida com essas que agora caíram em desuso na maioria dos lares. Aliás, é tão parecida que eu acho que o nosso primeiro-ministro demissionário tinha evitado facilmente toda esta confusão política. Bastava dizer que se não aprovassem o PEC 1024 (ainda não são tantos mas lá chegaremos) viria o Papão ou o Homem do Saco!

Atrevo-me a dizer que não haveria deputado da oposição que arriscasse chumbá-lo (talvez um ou outro deputado do bloco de esquerda ainda sob o efeito de drogas ou álcool).
Bastava insinuar que cada deputado que votasse contra seria automaticamente engolido ou enfiado num saco para destino incerto.

Hummm, pensando melhor talvez esta ameaça de serem enviados num saco para destino incerto não fosse boa ideia. Afinal, actualmente, que destino não é bem mais apetecível que o nosso País?

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Um Estranho Amanhecer – Capítulo 2



Acordo inquieto e ofegante. Que raio de sonho - pensei.

A luz que espreita pelas frestas da persiana salienta as manchas de humidade na parede do quarto. Fixo o olhar nessas manchas que aos poucos começam a ganhar forma.

À direita está um coelho apoiado apenas em duas patas, em cima do trenó do Pai Natal. Com a pata esquerda segura bem alto uma cartola e com a direita masturba-se de forma exuberante. Um pouco à sua esquerda está um leão imponente com as patas bem levantadas e boca bem aberta em clara posição de ataque, muito embora não se mexa, como se tivesse por certo que o perverso coelho acabaria no seu estômago.

Estava eu nestas deambulações e quase a fechar os olhos novamente quando o coelho se vira para mim e exclama:

- Estás a olhar para onde?

Naturalmente estou a imaginar coisas, pensei.

- Estares a olhar para mim excita-te? – voltou a perguntar sem nunca parar de se masturbar.

-Eu! – exclamo atónito e desconcertado – Isto só pode ser imaginação da minha cabeça.

- Da forma que estou a masturbar-me vais ver o que vai estar na tua cabeça não tarda!

Continuava a achar que tudo não passava de um truque da minha imaginação ainda baralhada pelo sonho que tinha acabado de ter mas fiquei algo curioso para ver onde isto me ia levar!

- Ok, supondo que tudo isto está mesmo a acontecer queres-me explicar por que raio estas tu a segurar uma cartola bem alto?

- Pensei que a tua primeira pergunta seria por que raios me estaria a masturbar, mas gostei da tua forma de pensar.

- Pois, isso também – afirmo surpreendido pela perspicácia do safado coelhinho.

- Estava farto de estar enfiado na cartola do Luís de Matos, aquilo lá é pequeno e não dá muito jeito para me masturbar. Uma noite durante um espectáculo, puxa-me da cartola, agarro-me a ela e com um safanão consigo escapar-me das suas mãos. Saí porta fora, meti-me no trenó do Pai Natal que estava na plateia a assistir ao espectáculo e fugi!

- Mas esse trenó não tem renas! – exclamo.

- Não, este modelo é a gasolina.

- Ah, ok. Mas agora diz-me lá o que estás tu a fazer parado na minha parede?

- Fiquei sem gasolina. O que até nem foi assim tão mau porque mais um bocadinho ia parar à boca daquele faminto leão!

- Não te quero preocupar mas quer-me parecer que não tens muito para onde fugir.

- Por isso me comecei a masturbar. Foi uma reacção impulsiva mas funciona, acho que o leão ficou em choque.

- Pois, isso pode ser o que te esta a salvar de um destino certo mas mais tarde ou mais cedo vais ter de parar.

- Até parece que não conheces a nossa fama, isto é coisa para durar. - diz o coelho com um sorriso confiante – Além disso subestimas a minha capacidade, se me consegui escapulir com a cartola do Luís de Matos e o trenó do Pai Natal, um leão não é nada.

- Deves estar louco se pensas que te escapas, ele está mesmo em cima de ti!

- Tu estas a ver um coelho a masturbar-se em cima do trenó do Pai Natal e eu é que estou louco? – soltando uma alta e longa gargalhada.

Decido virar-me para a outra parede do quarto…

Não pode ser…

É mesmo! O Pinóquio com a pila na mão vira-se para mim e pergunta: “Achas que me safo melhor com o nariz?”

CHEGA. Vou comprar um desumidificador…

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Um Estranho Amanhecer - Capítulo 1





Acordo agitado...
O facto de estar com a cabeça nos pés da cama e antes do despertador tocar é revelador de uma noite mal dormida.
Apesar disso sinto-me pesado, como se tivesse acordado de um sono profundo e longo, como se tivesse dormido 24 horas seguidas. Custa-me abrir os olhos e mexer o corpo.

Estranho o silêncio sepulcral completamente invulgar numa cidade onde o ruído é uma constante ainda para mais sendo dia da semana. Deixo-me envolver pelo silêncio e estou quase a adormecer outra vez quando sou interrompido pelo toque do despertador que toca a música "Yellow Submarine" dos Beatles numa versão interpretada pelo rancho folclórico de Mafamude. Estava tão inebriado pela doce voz da senhora do rancho que quase me esquecia do motivo pelo qual o despertador tocou. Hoje é dia de entrevista de trabalho!

Salto da cama e a aterro no tecto do quarto, mesmo entre o candeeiro e uma enorme melga esmagada há uns dias atrás com a almofada. Aproveito para tirar as teias de aranha do candeeiro e raspar a melga do tecto antes de me dirigir ao escadote no canto do quarto para descer.
Dirijo-me à casa de banho e lavo a cara. Quando me olho ao espelho reparo que metade da minha face tem barba de duas semanas enquanto que a outra metade está lisa e macia como se tivesse sido acabada de fazer.
Boa, - pensei - assim só demoro metade do tempo.

Fiz a barba com o x-acto, aparei os pêlos da virilha com uma tesoura da poda, cortei as unhas das mãos com a serra eléctrica e tomei banho de chuveiro. Foi um banho estranho...

Abro a porta do armário para decidir o que vestir. Um fato do Batman, um de Cowboy, um da Abelha Maia, a capa do Super Homem, um vestido de lantejoulas...
Decido vestir o da Abelha Maia, sempre é mais quentinho.
Acho que da última vez que o lavei devo ter exagerado na temperatura, pareço mais um Tarzan listado a preto e amarelo.
Bom, vai ter de servir - penso.

Entretanto com tudo isto já não tenho muito tempo. Desço à cozinha para um pequeno almoço rápido. Caldo de feijões e cozido à Portuguesa para não demorar muito.
Despacho tudo num ápice e saio à rua. Apanho o primeiro carro de bois na paragem e sigo para a entrevista. Chego mesmo em cima da hora!

Abro o portão onde se lê o tradicional aviso "Cuidado Com o Pinguim Cor de Rosa", sigo as setas fluorescentes ao longo do caminho sinuoso, passo um pessegueiro carregadinho de cerejas, pelo Alberto João Jardim que ordenha uma pequena vaca verde com manchas azuis de onde sai leite com cor de vinho tinto, passo as prostitutas, o Wally (afinal estavas aqui) até que um duende verde me puxa pelo rabo de abelha e me faz sinal para o seguir.
Desço à cave apenas iluminada por um painel gigante do Poppey onde se lê: " Não é dos espinafres, é do Viagra!"

Sento-me num banco comprido onde estão mais três candidatos. Uma senhora de 98 anos que, entusiasmada, fala sobre o seu casamento com o avô da sua amiga de infância e as expectativas que tem em perder a virgindade após o casamento, um anão que continua aos saltos a tentar subir para o banco e um jovem doutorado com um mba em gestão que tranquilamente rabiscava umas coisas no seu labtop topo de gama.
Que jovem estranho - pensei!

Entretanto entra a senhora que lê os números da lotaria na tv e chama o meu nome da mesma forma que anuncia os números da sorte.
Levanto-me e entro por uma porta tão pequena que tenho de ir quase de joelhos para conseguir entrar.
Merda, nesta o anão leva vantagem!- pensei.

Entro num corredor comprido onde apenas se via uma mesa ao fundo e uma marquesa encostada à parede. A luz vermelha intermitente e os sons agudos que percorriam o corredor criavam o cenário relaxante necessário para uma boa entrevista de trabalho. Entretanto dirige-se a mim a Angela Merkel apenas com botas de cano alto, calção de renda justo e top de cabedal. Numa mão segura uma enorme vela a arder e na outra um io iô.  Pede que me dispa e deite na marquesa. Pergunta-me se sou virgem (um ponto pra senhora de 98 anos), se bebo leite magro, se uso cuecas às bolinhas, se me toco no banho, se tiro a gordura do fiambre, se gosto de pêlos nos mamilos e se sou circuncisado!
Roda o io iô pelo peito até à virilha (ainda bem que as depilei), deita cera quente nos meus mamilos enquanto os massaja. Pede que me vire de costas. Enfia uma luva nas mãos, afasta-me as pernas e... toca novamente o despertador!
Acordo...

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

BEIRUT - UN DERNIER VERRE



Come sit at the table
Under October's able skies
Once we'd seen eye to eye
I'd known that I'd pass you by, and I tried
The bells chime
Seven times
Completed at nine
The world moves slower, I find
No, but I
Learned of time
By your hands
And in shallow waters' end
I learned not to swim, but to lie
I'll wait for now
'Til it's ready to burn out
I insist on doubts
We're already lying on the glass
The glass.

Será esta a minha última garrafa? A última verdade? A última estrada?
O último céu?.....

Vagueando pelo fabuloso Mundo das palavras encontro diversas vezes dificuldades em expressar a vontade que me invade e dou por mim a tentar resignificar as palavras para tentar que voltem a fazer sentido, um outro sentido.

Acabam sempre por me limitar na medida em que, com as palavras que conheço e o significado que lhes é atribuído, não consigo expressar com justiça a intensidade das sensações que me preenchem. Garanto-vos que não o faço por egoísmo nem num qualquer exercício de auto-preservação ou defesa.

Pesquisei variadíssimas palavras e os seus significados, combinei-as de várias formas, de todas as formas, mas, ainda assim, não consigo sequer chegar perto daquilo que pretendo transmitir.
Talvez por isso recorra tantas vezes a canções nas quais encontro similaridade com o que sinto. Na maioria dos casos não consigo perceber se é a música que transmite essas sensações ou se sou eu, que já condicionado por um qualquer estado de espírito, identifico essas emoções numa canção.

Por isso na vida, tal como nas canções, nada é certo. Nada é garantido. Nada pode ser feito para servir um propósito objectivo dada a volatilidade que cada estado de espírito encerra.
Por esse motivo esta não poderá ser nunca a minha última viagem nem o último céu! Esta será a viagem que neste momento necessito percorrer. Esse percurso poderá apenas determinar se o caminho será longo, curto ou ETERNO...

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

CARRY ME


Uma vida sem ti é vazia.
Um amor sem ti é impossível.
Um céu sem ti é cinzento.
Um mar sem ti não tem ondas.
Um sol sem ti não aquece.
Uma lua sem ti não atrai.


Um mundo sem ti não é meu...

Um abraço em ti é vida.
Um beijo em ti é amor.
Uma lágrima em ti é o mar.
Um sorriso em ti é o sol.
Uma noite em ti é a lua.
Um amor em ti é o mundo.

Sem ti, esquece-me (!), porque sem ti não existo...

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

CONTO de NATAL - Parte 2

Joana acabara de sofrer um tremendo desgosto de amor. Ingénua, simples e apaixonada sempre pensou que este amor seria para sempre...

Agora, além do pequeno buraco no meio das pernas que pensara finalmente saber como ocupar, tinha um enorme no coração que não fazia idéia como poderia preencher. Ainda por cima soube na véspera de Natal!

Estava inconsolável, taciturna e sombria. Estava perdida, vazia e com tendências suicídas. Amava-o loucamente, sem reservas e ainda nem queria acreditar no que tinha acabado de acontecer.

Soube da pior forma! Quis surpreender o namorado que tinha de trabalhar na véspera de Natal aparecendo no seu local de trabalho onde passava parte dos seus dias e noites. Naquele dia percebeu o motivo. Não foi bonito entrar no salão de jogos e perceber que o único taco e bolas a rolar em cima da mesa de bilhar eram as do seu namorado na jeitosa do pão quente em frente ao salão de jogos.
Ainda esboçou uma tentativa de indignação e revolta mas estava incrédula e impotente para reagir. As lágrimas começaram a escorrer pela sua cara pálida de choque e nojo. Saiu a correr do salão de jogos e sem destino certo andou desconcertada pelas ruas sem sequer perceber que chovia torrencialmente.

Pensou acabar com a sua vida naquele instante mas um laivo de lucidez  fez-lhe pensar que não lhe podia dar esse prazer. Decidiu que não valia a pena sofrer por causa dele e ia fazer tudo para que a dor passasse!
Reparou que estava abrigada da chuva no toldo de uma sexshop, resolveu entrar e dar uma prenda a si própria. Comprou um butplug, um vibrador e à saída deu uma rapidinha com o primeiro Pai Natal que encontrou na rua. Sentiu-se imediatamente melhor!

Não sabia se aquilo iria ajudar a remendar o vazio que tinha no seu coração mas decerto preencheria o pequeno buraco que tinha no meio das suas pernas...

CONTO de NATAL- Parte 1

A MORTE DO NATAL...

Lamento ser eu a trazer esta terrível e deprimente notícia mas este será mesmo o ÚLTIMO Natal. Tudo começou com a greve das renas promovida pelo mesmo sindicato que defende os trabalhadores da AutoEuropa.

O Pai Natal teve de fazer as entregas dos brinquedos em low cost, envolveu-se com a hospedeira de bordo, a Mãe Natal descobriu.

A hospedeira de bordo tinha gonorréia e agora Pai Natal, Mãe Natal e as dóceis renas (fuck) têm a doença.

A hospedeira de bordo apaixonou-se pelo Pai Natal e não sai da soleira da porta. O Pai Natal quer muito deixa-la entrar mas a Mãe Natal não deixa gerando-se um clima de discussão e mau estar insuportável. As renas continuam a tentar perceber como contraíram a doença.

A Coca-Cola despede o Pai Natal, a Mãe Natal pede o divórcio e a hospedeira de bordo enfrenta um processo no Tribunal Penal Internacional por crimes contra a humanidade. As renas começam a desconfiar das festas e carícias que aquele meigo velhinho lhes dava depois de cada desgastante viagem.

O Pai Natal refugia-se na bebida, a Mãe Natal foge com o seu personal trainer brasileiro, a hospedeira de bordo é condenada a prisão perpétua e enviada para uma prisão de alta segurança em Portugal (casa de um qualquer autarca) e as renas decidem vingar-se do quase sempre embriagado Pai Natal na mesma moeda...

INTERRUPÇÃO INVOLUNTÁRIA DO NATAL!

Escrevo este texto no alfa pendular a caminho de Lisboa...
O Natal sempre me trouxe sensações de paz e amor, de conforto e alegria pelo convívio entre as pessoas, pela sua natureza bucólica, mágica e envolvente. Pelo ambiente único que a pequena aldéia de onde sou natural propicia.

A véspera de Natal é sempre um rodopio, há sempre inúmeras coisas a fazer até ao fim da quadra Natalícia. Pouco lazer e muito trabalho que envolve sempre uma grande dose de responsabilidade e espirito de sacrifício.

Quase toda a comida é preparada no dia 24 para que esteja tudo fresco e fofo. A minha função é, obviamente, enfardar de tudo um pouco para aferir da qualidade de tudo antes de ir para a mesa para serem devoradas por todos aqueles que nos visitam. Tremenda responsabilidade para não falar da capacidade de sacrifício pelo facto de tudo aquilo que como vir a ferver directamente para a boca. Sejam os bolos de bacalhau, as filhós, o polvo, a "raielha", as rabanadas, etc..., tudo vem directamente do fogão, da frigideira ou do forno directamente para a minha boca...

Após duro trabalho é tempo para um pouco de lazer e diversão, saíndo para a rua e enfrentando o frio cortante para visitar vizinhos e amigos. Desejar "boas festas" é apenas um pretexto para beber vinho do porto e comer de tudo um pouco!

Depois volta-se a casa para a Céia de Natal, abrir as prendas em volta da lareira e voltar à rua para ir até à enorme fogueira no cruzeiro da aldéia, tão grande que normalmente dura 4 ou 5 dias!
Dia 25 vai-se à missa de Natal (não falho uma desde 1954), almoço em familia e, se depois do almoço ainda me conseguir mexer, sair novamente para mais umas visitas que não se fizeram no dia anterior (ou para visitar novamente as casas onde o vinho era mesmo bom)...

Não me perguntem porque mas o Natal na aldéia tem sempre mais qualquer coisa...

Por isso este ano decidi ABORTAR o Natal (sosseguem, fi-lo numa clinica devidamente autorizada) pois a Lisboa falta muita coisa. Falta a aldéia, algumas pessoas especiais que já partiram, outras que estão noutro lugar a passar o Natal e uma em particular que é o melhor do meu pequeno Mundo e entrou na minha vida de forma tão simples quanto intensa, tal como dois dedos numa vagina menstruada...

De qualquer forma para todos os que não abortaram o Natal desejo-o cheio de Amor, paixão e muito calor humano...

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

MENage à 3 .


A todos os homens que a certa altura ouvem dos doces lábios da sua companheira a frase mágica:
"- Quero fazer sexo com uma mulher!"
A primeira reacção é desconfiar de forma que as primeiras questões são delicadas e sempre direccionadas no sentido de lhe imputar essa responsabilidade, para mais tarde não sermos de alguma forma implicados nessa escolha mesmo que ela já tenha por nós sido sugerida inúmeras vezes.
A segunda é, naturalmente, perceber se essa fantasia nos inclui.



Estando estas duas premissas salvaguardadas logo a nossa imaginação nos transporta para um sem fim de cenários prováveis, uma panóplia de possibilidades, cada uma mais saborosa que a outra. Pensamos que este pode ser um caminho para a absolvição de todos os nossos pensamentos sexuais mais secretos e sujos, para todas as horas de masturbação passadas a pensar nisso, um bilhete gratuito para uma saída fácil da prisão, um sinal dos céus para os mais devotos e, melhor ainda...
TUDO ISTO FOI IDÉIA DELA!

Mas nada é gratuito, mes enfants...

Na maioria dos casos, a mulher propõe isso porque andava sexualmente insatisfeita (sim, parece impossível mas acontece), ou como uma tentativa desesperada para salvar um casamento, dada a rotina e monotonia em que a relação mergulhou (e só não sugere ser com outro homem porque já sabe à partida que nunca o permitiriamos).


Ora, um casamento, como toda a gente sabe, é considerado uma cerimônia religiosa, se não estou em erro (e já pesquisei durante horas na net) não há nenhuma religião em que um menage à tróis seja indicado como um dos caminhos para a redenção e, a não ser que a mulher escolhida seja freira, nada do que possa acontecer durante esse "divino" acto pode ser considerado religioso.

Uma solução para salvar o casamento e voltar a deixa-la mais molhada que uma manhã de Inverno no Porto seria comprar uma jóia do tamanho de um salpicão, uma mala maravilhosa que combine com os sapatos novos, ou adoptar uma bela criança africana. Ouvi dizer que faz maravilhas!

Porque depois dessa fantasia realizada ela pode perceber que o "sexo carinhoso" tem as suas vantagens e que o facto de uma mulher conhecer melhor que ninguém o seu próprio corpo e usar as mesmas ferramentas é desde logo uma considerável vantagem!
Pode perceber que afinal é possível ter orgasmos tão intensos ao ponto de ficar inconsciente e que, por muito convincentes que os homens sejam, podem descobrir que "múltiplos orgasmos" são muito mais que um mito criado para descrever a maravilhosa sensação da produção orgásmica em série!
...
Sendo assim só posso dizer-vos: Cuidado com o que desejam!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Um caminho? Mas qual caminho?...

Na vida não há apenas um caminho nem há apenas uma vida.
Na vida não há apenas felicidade, tristeza ou indiferença.
Na vida não há apenas uma decisão ou uma vontade.

Ao longo da "minha vida" já percorri vários caminhos, já experimentei várias sensações provocadas por decisões ou vontades. Já fui feliz sem nunca sentir que fosse indiferente, pelo menos não em relação aquilo em que acredito. De uma forma geral sinto-me preenchido. Aliás, se morresse agora e me fosse permitido experienciar uma emoção após a minha morte ela nunca seria desilusão, dor ou qualquer tipo de arrependimento.

Provavelmente sentiria que era uma merda não me ter despedido e sem pedir que fosse enterrado com o leitor de mp3, uns cd's seleccionados, umas garrafas de bom vinho e umas caixas de preservativos...
A maioria das pessoas provavelmente diria que não fiz nada de significativo ou relevante, eu poderia facilmente argumentar contra isso mas não o vou fazer. Primeiro porque a esta hora o meu cérebro já não da para mais e além disso não me apetece. Em segundo, e é um clichê, porque esta realização tem de ser pessoal. E aí penso que reside a justificação para a sociedade acéfala que me rodeia. Cada vez mais as pessoas deixam de ser elas próprias para passarem a ser alguém que supostamente devem ser. Não sei bem quando mas perdemo-nos em algum momento da vida e quando queremos voltar atrás é demasiado tarde ou não sabemos como...
Só nos restam duas opções:
Ou estagnamos e bloqueamos entre o que fomos e o que não queremos ser ou seguimos o caminho que alguém traçou. Em qualquer dos casos estamos fodidos...

E porque sou eu especial e diferente? Não sou...
Mergulhei de cabeça nesta sociedade hipócrita, bebi da sua estupidez, alimento-me todos os dias da sua ignorância e tornei-me mais um. O meu ódio próprio...
Felizmente à noite tudo faz mais sentido por isso só peço:

PAREM O MUNDO, QUERO SAIR!

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Bota-lhe couve galega!

Ia postar um texto sobre os meus 33 anos de vida mas como desde a minha última auto análise não mudou assim tanta coisa fica para a próxima.

Como alguns saberão, ando a estudar para ser escritor (o que será um crime se vier a suceder) e as últimas aulas foram sobre um tema que não me fascina particularmente, Poesia!

Apesar de tudo a poesia de agora já não é tão formal como antigamente acabando, muitas vezes, por se misturar géneros literários ao ponto de não se conseguir, com rigor, perceber em que género se incluem alguns textos ou obras.

Os versos que coloco a seguir são antigos e pertencem a uma pessoa que já faleceu, à qual presto hoje um pequeno mas merecido tributo. Inteligente, mordaz e surpreendente.... Teresa Moscas!

"Ò Vila Real alegre
província de Trás-os-Montes
no dia em que te não vejo
não boto feijões ao caldo.

Plantei no meu quintal
sargaços que dão feijões
quem morre sem ter amores
vai pró céu aos trambolhões.

Semeei no meu quintal
sementes de amor-perfeito
nasceram-me as patas de um burro
com uma candeia na mão."

LINDO....

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Noites Longas


Hoje é mais uma dessas noites. Longa…


Daquelas noites em que a Lua está escondida. As estrelas estão distantes. A escuridão outrora aconchegante é hoje uma estranha que se funde numa solidão perpetuada por um silêncio perturbador.

Hoje, como sempre, vivi na base das sensações que provocas, na vida que geras e nos sentimentos que incendeias.

A eterna batalha dos sentidos…

Aquela que sei que não posso ganhar, mesmo que a esteja a viver intensamente, mas que infelizmente não sei como contrariar!

Sou um vagabundo nesse contexto particular. Por vaguear por sensações impossíveis, por me expor perante sensações extremas de prazer, de amor. Por me sentir nu sempre que “estas”. Por me sentir perdido sempre que te “eclipsas”. Por sentir que não existo no mais profundo do meu íntimo para além daquilo que representas para mim.

Por não me sentir quando não te sinto!

Por parecer nunca ser suficiente!

Em ti conheci mais que em toda a minha vida passada. Um pequeno “nada” teu é sempre um enorme “tudo” para mim.

Em ti tudo é mais simples. Tem mais significado.

És como um multiplicador comum a tudo o que é positivo. De cada pequena coisa multiplicada por ti resulta sempre algo mágico. Algo que nem julgava existir, que me surpreende e ultrapassa…

Sei que já o disse mas tu és o meu Milagre. Desde que te conheci que percebi que ias mudar-me. Da forma que mais desejamos ser mudados. Por isso sempre te aceitei com um sorriso, aceitei-te sempre do modo que podias existir na minha vida. Na minha mente, no meu corpo!

Não percebo como cheguei “aqui”. Fiz todo o caminho desde o Início e não sei como cheguei a este emaranhado de sentimentos simples mas intensos demais para serem suportados por um simples e humilde mortal!

Hoje é uma daquelas noites...

Não quero dormir. Os meus sonhos iludem-me. Fazem-me sentir mais. Tornam tudo mais difícil por não estares presente. Por aumentar tudo o que és e tudo o que provocas em mim.

Por isso esta noite “desisto”. Não do que sinto, não do que desejo, tão pouco do que acredito.

Desisto apenas do conformismo que um sentimento assim gera. Não vou (nem posso) ficar por aqui, sei que este é o MOMENTO de ir mais além, de querer mais!

Ainda não cheguei ao cume desta sensação que sei ser única (embora me sinta um aprendiz no que a ela concerne), de uma sensação que só tem paralelo no limite dos nossos sonhos, dos nossos maiores e mais profundos desejos.

Mas não posso promete-lo. Quem me dera conseguir. Não sei se serei capaz. A força que não tive para te conquistar espero tê-la para te mostrar que somos perfeitos juntos. Que somos completos. Que finalmente nos encontramos para não mais nos perdermos…

Um dia pensei:

“Talvez te encontre outra vez. Noutro lugar. Talvez te ame de novo. Talvez tenha coragem para te beijar dessa vez. Talvez te consiga mostrar aquilo que não consegui desta. Talvez tenha mais “pequenos nadas” teus. Talvez...
Sei que não é fácil fugir disto. Sei que não quero perder-te. Não sei o que sentes de verdade. Ou não quero perceber...”

Um dia pensei que não fosse possível encontrar-te nesta vida. Um dia pensei que não seria possível beijar-te. Um dia pensei que seria impossível…

Já sabia que esta noite ia ser longa. Entre uma garrafa de vinho que insiste em troçar de mim por conhecer o motivo pela qual a abri, uma música que toca repetidamente no PC, como se me quisesse lembrar de algo importante que não devo esquecer e a luz de um candeeiro em frente que irrompe pela janela subida do meu quarto escrevo estas confusas e perdidas palavras.

Não sou mais do que era há uma hora atrás. Também não sou menos. Sei que tudo vale a pena desde que vividos com intensidade, embora soframos na exacta medida das nossas pretensões frustradas e da energia e paixão que colocamos na sua concretização. Mas em tudo há algo de belo…

Num sorriso. Numa lágrima. Numa canção. Num cheiro. Num toque. Num suspiro. Numa palavra. Numa brisa. Num silêncio. Num beijo. Num amor, correspondido ou não...

Sou aquilo que as sensações que percorrem o meu corpo me ditam!

Amanha continuarei a ser assim. Continuarei a respirar. Não deixarei de ser o que sou hoje nem ontem. Ou era há uns meses atrás. E nunca mudaria para te conquistar, porque aí estaria a deturpar o que sou e não acrescentaria nada de novo.

No fundo nada ira mudar mas tudo será diferente!

Ou talvez não. Quem me dera que fosse fácil. Odeio as grandes decisões. Amo quando elas são provocadas naturalmente. Mas nem sempre é assim. Como desta vez...

Afinal não foi assim tão longa esta noite!

A garrafa de vinho vazia ao meu lado já não troça de mim, mudei a canção que se repetia a cada 6’06’’ mas a luz do candeeiro continua lá. Porque há sempre uma Luz mesmo que às vezes não a vejamos. Aquela luz que nos mostra o que é realmente importante. Que nos guia. Que nos preenche. Que nos salva!

Tu és a minha luz. Mesmo que muitas vezes não te veja. E, como também já te disse, és uma das mulheres mais extraordinárias que já tive o prazer de conhecer. Tens uma alma enorme e um espírito imenso!

E amar-te foi sempre inevitável…

Uma parte de mim será sempre para Ti. Serás sempre a parte mais importante do meu dia!

Como te amo...

(Mais) um beijo. Um abraço. Um sorriso. Um TUDO…
“hic” (bom vinho)…


sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Estado Portugês: Ignorante ou Burro?


Quando criei este blog assumi claramente que não iria ser generalista no sentido de não falar de futebol, política ou algo relacionado com a sociedade que não a sua vertente humana.
Infelizmente, ou não, há alturas em que se torna quase inevitável não falar de determinados aspectos dado o seu caracter indissociável da condição humana na medida em que nos influencia ou condiciona!

Como toda a gente sabe o Estado Português teve a brilhante idéia de introduzir portagens nas SCUT (Sociedade que Come Uns por Trás) desde dia 15 do passado mês de Outubro. Como também toda a gente sabe o Estado Português fê-lo pela necessidade extrema de ir buscar receitas para tapar os buracos que ele próprio cria.

Ora, esta decisão até seria aceitável se não houvesse duas ou três questões relevantes que contrariam esta lógica.

A primeira, contestável e que prova que o Estado português se está a "cagar" para as pessoas e para as empresas, passa pelo facto de as nacionais que servem como alternativa às SCUT simplesmente não serem alternativa, pois há troços onde não passam dois camiões, pontes onde não é permitido a circulação de pesados, da pesada carga financeira para as milhares de empresas existentes na região, entre outros...

A segunda, que prova a tremenda ignorância do Estado Português, é que esta medida contraria uma lei fundamental da União Europeia que diz e passo a citar: "Qualquer cidadão europeu com moeda de curso legal tem de poder pagar em dinheiro".

A terceira, que prova que o Estado Português é Burro, é que com esta medida vai ter prejuízo! Estranho mas rigorosamente verdade! Passo a explicar:
Antes da introdução das portagens o Estado Português pagava uma renda de acordo com o volume de tráfego aos privados através de contratos variáveis, sendo que o risco e prejuízo do pouco volume de tráfego era imputado aos privados. Agora, depois da introdução das portagens, os contratos tiveram de ser renegociados passando a uma taxa fixa que, obviamente subiu, sendo que as receitas com as portagens estão estimadas em apenas 30 a 40% daquilo que a Estradas de Portugal vai pagar às Concessionárias! Com esta medida só as Concessionárias ganham!

Naturalmente que não é preciso ser muito inteligente (ao contrário dos nossos governantes) para perceber que isto vem com uma intenção clara de beneficiar os privados que, mais tarde ou mais cedo, terão de retribuir o favor com cargos para aposentados políticos e prémios de muitos milhões, em sintonia com os muitos milhões que essas Concessionárias lucram com esta e outras medidas!

A resposta à questão que dá título a este texto seria óbvia, AMBOS! Mas depois do último parágrafo percebe-se que talvez não seja assim tão linear e que talvez os burros sejamos (mais uma vez) NÓS!!

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Amor-Mais-Que-Perfeito!...



No dia em que se assinala um mês de "vida" deixo uma música que me diz muito, não apenas pela música em si mas pelo significado das suas imagens, que não terão significado para mais ninguém a não ser para "nós". A música em si, tem o sentido que qualquer pessoa lhe quiser dar.

No "nosso" caso significa muito mais do que aquilo que a banda poderia supor que alguma vez tivesse. Atingiu o auge da beleza, do amor, da persistência, da vontade, da fé...
Atingiu o propósito que no seu extremo deveria servir. Atingiu o limiar de tudo o que um verdadeiro amor representa e será sempre interpretada desta forma, pelo menos para mim!

Nunca desistir daquilo que sabemos ser certo (real ou não). Nunca ceder à tentação natural de nos limitarmos ao básico. Seremos sempre um pouco mais se seguirmos a nossa vontade, este sempre foi o meu lema...

Provavelmente dor será sentida, momentos passarão em claro, rumos indefinidos serão seguidos. Mas no fim acabaremos sempre por nos encontrar e nos perder exactamente no mesmo sítio, da mesma forma, provavelmente com a mesma intensidade e certeza. E sentir que isto é apenas o começo transporta-me ansiosamente para um futuro incerto pelas mudanças naturais. Incerto mas seguro! Contraditório? Talvez...

Para já vou controlar a ansiedade, respirar fundo e aproveitar aquilo que estou a viver, um dia de cada vez. Dias que se rodeiam de uma clara sensação de magia, um ambiente bucólico que existe apenas nos quadros mais inspirados ou num qualquer efeito irrepetível da natureza. Momentos-Perfeitos :)

Por isso (e enquanto não fodermos tudo) vou continuar a dar o melhor de mim para que o fim não chegue nunca...

Brutamo-te ciganita...

sábado, 16 de outubro de 2010

The Spirit Was Gone



"The spirit was gone from her body
Forever and had always been inside that shell
Had always been intertwined
And now were disintwined
It's hard to understand
Oh..."


Finalmente saiu o novo álbum de Antony and the Johnsons. Na verdade já saiu há quase uma semana mas só hoje fui compra-lo.
Sem perder o lado melodramático e monocórdico que a voz de Antony Hegarty acentua a cada sopro de voz, este novo álbum anuncia um "fim".
Percebe-se claramente nas canções uma tristeza profunda pelo actual estado das coisas, o sofrimento e melancolia estão intrínsecas no álbum.

A humanidade aproxima-se do fim...

Gostava de conseguir ouvir este álbum sem o entender, sem lhe dar significado além daquele que as melodias transmitem.
Gostava de ser estúpido ou ignorante o suficiente para não entender, de ser apenas mais um louco que sorri a tudo e vive solto pelos locais mais improváveis.
Gostava de não perceber a sociedade, as organizações, a ganância e a fortuna.
Gostava de não sentir a hipocrisia, a maledicência e a falsidade das pessoas.

Apesar de tudo este álbum e qualquer outro que nos transmite uma profunda tristeza (não confundir com estados depressivos) não seria o mesmo se essa tristeza não fosse real, se não fosse sentida dessa forma na voz arrepiante e quase bucólica deste "profeta sensorial". Sente-se a desilusão, a dor e, pior que isso, sente-se que é impossível lutar! Há claramente um sentimento de impotência para mudar o sentido das coisas tal como uma bátega cuja tromba de água impiedosa varre tudo por onde passa!

Apesar de tudo e depois de ouvir este albúm várias vezes, há um sentimento claro e que marca todo e qualquer registo desta fantástica banda. Não está explicito mas vagueia entre alterações de sonoridade, entre compassos, entre músicas. O Amor...

Se alguma réstia de humanidade sobreviver ao incontornável cataclismo, será seguramente aquela que se basear no amor e na compaixão...

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Archive - Controlling Crowds



Hoje resolvi escrever sobre a anedota em que se transformou o “Mundo”, a sociedade global e falar de merdas que não interessam a mais de 3 ou 4 pessoas!

Não me vou preocupar em estabelecer critérios rígidos sobre a forma como digo as coisas nem as vou fundamentar demasiado. Em primeiro lugar porque não me apetece, em segundo porque não quero lançar o pânico entre os mais conformados ou cépticos. Se alguém se quiser dar ao trabalho, deixo ao vosso critério aceitar, interpretar ou criticar os meus devaneios mais ou menos inconscientes ou então provocados por um elevado grau de alcoolismo no qual me encontro habitualmente.

Nos últimos dois dias expus-me a um sacrifício extremo que me criou um estado de depressão profundo, um sadismo quase indescritível e até condenável do ponto de vista do bem-estar humano…

Vi um telejornal até ao fim…

Por norma evito estar muito actualizado pois assim tenho sempre a eterna desculpa da ignorância mas neste momento não me posso refugiar nela para me descartar de falta conhecimento do estado actual das coisas. O grande problema não é estar informado, o meu grande problema é ver ao ponto a que as coisas chegaram!!
Será que neste País (apesar de ser um problema global) não há ninguém com projecção mediática minimamente inteligente para dizer alto e bom som o que está a acontecer?!!

Soube, entre outras, que os dois maiores sindicatos do País se vão unir numa greve geral. Ora, isto para a maioria dos comuns mortais (sim, sou presunçoso ao ponto de me julgar à margem da maioria da população mundial, já estou como o outro, sou “especial”) seria algo fantástico pois significaria que o ponto a que as coisas chegaram impõe que haja uma união ainda mais abrangente que permita criar uma força de bloqueio “ao governo e às suas políticas”. Para mim isto não passa de pura hipocrisia.

A meu ver os sindicatos foram criados com um fim específico, controlar as multidões (daí a música que acompanha este texto). No momento em que são divulgadas medidas contra os trabalhadores de uma forma geral, ou contra algum sector em particular, lá vêm os sindicatos acalmar os ânimos!
“Não se preocupem que nós tratamos disso!”
E convoca-se uma greve (demasiado pacífica) que na prática só serve para prejudicar ainda mais a produtividade nacional e manter com rédea curta as massas.
O papel dos sindicatos é claro, enriquecer à custa do poder negocial que ganharam junto dos governos (eu vejo isso como pagamento de um favor), refrear os ânimos e controlar as massas como o pastor faz com o seu rebanho.

Sim, porque neste meu contacto com os telejornais vi que noutros Países onde não são tomadas medidas tão austéras há motins e revolta por “apenas” uma ou duas medidas de austeridade! Somos um povo demasiado brando e pacato. O que até seria bom se tivéssemos no “poder” pessoas capazes de sensibilizar as pessoas para uma realidade que não é de longe aquela que nos é vendida!

Só quem anda literalmente a dormir é que não percebe que o sistema financeiro está à beira do colapso, os ciclos de consumo estão no limite, os recursos naturais escasseiam e não há forma de contornar isso. A solução é simples mas impraticável pois a globalização impede-o.

É muito salutar a aproximação dos povos, de culturas e a evolução permitiu-nos alargar os nossos horizontes ao ponto de nos movermos sem grande dificuldade por 70 ou 80% do planeta. Mas que não se espere que daí não advenham consequências graves!

E uma delas está à vista e para breve. A bancarrota de um País (ou vários) em prol da evolução, de um bem maior chamado União Europeia! Aliás, em alguns Países isso já sucedeu e, como peças de dominó, muitos mais vão continuar a cair!

Andamos a pagar a agricultores para deixarem de produzir, as nossas crianças não fazem ideia de onde vêm os alimentos nem como cultivá-los. Quando se acabarem nas prateleiras dos hipermercados ou estiverem a um preço proibitivo (e que ninguém tenha dúvidas que mais tarde ou mais cedo isso vai acontecer) iríamos desejar saber mais umas coisas sobre o assunto!
Neste momento há vários Países que não têm capacidade de se auto-sustentar, naturalmente Portugal é um deles, e como disse há tempos um ministro numa intervenção na sede das Nações Unidas “…produzam, porque num momento de crise nenhum País virá a correr para vos matar a fome…”

Ou se começam a limitar as importações, que para além de contribuir para diminuir a dívida externa (que é um dos principais problemas do País dado as subidas das taxas de juro) iria obrigar a uma maior produção nacional = menos desemprego = menos carga fiscal = a maior qualidade de vida, ou então estamos condenados a uma escravidão completa de meia dúzia de organizações todo-poderosas que neste momento tentam (com grande sucesso diga-se de passagem) estabelecer uma Nova Ordem Mundial levando governos de vários Países (fantoches) a um constrangimento financeiro tão extremo que se torna insustentável para a maioria das pessoas, de tal forma que motins, revolta e crime organizado serão constantes em qualquer grande cidade da Europa!

Ia continuar mas acredito que já consegui deprimir grande parte das pessoas que me “lêem” e que conseguiram chegar ao fim deste texto. Sim, porque a maioria deve ter desistido a meio…

;)

domingo, 10 de outubro de 2010

Set My Spirit Free


Há coisas que nos mudam, que nos transformam.
Somos constantemente postos à prova e na maioria das vezes falhamos! Emocionalmente somos complexos, contraditórios e imprevisíveis! Temos sempre mais dúvidas que certezas, mais medo que coragem…

Não acredito no destino, nem na previsibilidade. Acredito que somos a exacta medida daquilo por que lutamos. Não do resultado da nossa luta, isso é relativo, mas do empenho, da coragem, do amor que colocamos no caminho que decidimos percorrer! Bem sei que é uma visão muito romantizada das coisas pensar que a satisfação de lutar por algo verdadeiramente grandioso será suficiente, mesmo que essa luta se revele efémera e inconsequente…

Mas prefiro saber que sou assim do que pensar que me enquadro no estereótipo de uma sociedade cada vez mais estéril de valores e de capacidade para sentir!

E digo isto no momento em que vivo algo único, mágico, que abanou os alicerces do meu ser e, de tão "imprevisível", até da minha imaginação exactamente por nunca deixar de sentir, de acreditar...

Vivo-o da forma que ele merece ser vivido, com total entrega, dedicação e sem qualquer receio pelo que possa suceder no futuro.

Não há caminhos fáceis, certos! Há caminhos. Sempre disse que a única coisa que possuo verdadeiramente é a minha liberdade. É a única coisa que preciso manter, a liberdade de escolher o meu caminho. Porque com os meus erros, com as minhas falhas, com as minhas más decisões eu consigo lidar. Não conseguiria era lidar com a frustração de ter seguido um mau caminho que outra pessoa escolheu para mim…

Continuo e irei continuar a ter conflitos com o que sei ser real e o que imagino. A minha mente irá continuar a pregar-me partidas, irá continuar a iludir-me com lampejos de vida inalcançável em miríades de sonhos coloridos pela capacidade que o meu coração tem de amar. Irá continuar a mostrar-me quem não consigo ser…

Assim espero pois conseguindo ver as coisas dessa forma, terei pelo menos a certeza de saber pelo que luto! Terei a certeza de saber o que vale a pena, mesmo que nunca o alcance.
Neste instante sinto-me crescer sem dúvidas, sem medos! Sei claramente o que vale a pena...

Neste momento sinto a coragem de lutar pelo que realmente sei ser certo, pelo que acredito! Libertando o meu espírito, enaltecendo a essência de uma vida e voando até cair sem forças…

Apetece-me gritar: “FREE AT LAST” pois eliminei todos os bloqueios. Tive a coragem de me libertar daquilo que me satisfaz mas não me completa. Que não me faz evoluir ou ser uma pessoa melhor! Não vai ser fácil porque todos os dias somos aliciados por pequenos Hitlers disfarçados de benfeitores com promessas de bem-estar e felicidade ao alcance de todos em troca de algo tão “vulgar e insignificante” como a nossa capacidade de amar, de sentir e de sermos únicos.

E perdemos o melhor de nós com uma facilidade impressionante ao mesmo tempo que desviamos o olhar e passamos ao lado do verdadeiro sentido das coisas…

Se mais tarde me aperceber que foi o caminho errado e que qualquer outro teria sido melhor basta-me pensar como seria se para sempre vivesse na dúvida…

sábado, 2 de outubro de 2010

Vindimas!!


Hoje escrevo sobre vindimas!

Infelizmente este ano não tive possibilidade de estar nas vindimas :(
Demagogia, escapaste-te de Boa, pensam vocês! Não, de longe. É uma época única e tudo me agrada de uma forma muito particular. Gosto de tudo, da aldeia, da agitação, das vinhas, dos cheiros, da pureza do ar, da alegria, até de chegar ao fim do dia completamente rebentado.
Mas no fundo, gosto das pessoas! A forma como se vive esta altura é diferente de todas as outras!

Uns usam as vindimas para beber à vontade sem que a mulher o recrimine!
"Oh mulher, anda um homem farto de trabalhar e nem se pode beber um copo?!?!"

Outros para "parecerem" ocupados já que nesta aldeia são poucos os momentos de agitação e stress, é uma parcimónia tal que diria que os anos aqui se repetem! Fala-se nas vindimas desde que a festa da aldeia acaba (meados de Agosto) ate ao Natal. Fala-se com este e com aquele para ir ajudar, tem de se preparar comidas, fazer planos tão complexos e elaborados que nem a maior corporação ou empresa conseguiria implementar com os métodos mais eficazes de gestão!
Há pessoas que não dormem preocupadas! É uma época de tensão, terrível, desgastante!
:)

É esta simplicidade que me agrada na aldeia, as pessoas são tão simples, humildes e genuínas que não posso ter vontade de ir parar a mais lado nenhum!

As vindimas são de facto uma época especial, diferente. Principalmente as que se fazem para a adega da casa do proprietário! E é uma das vindimas do ano passado que aqui retrato...

Começa-se cedo!! Às 6h20 toca o despertador. Saio ensonado da cama para tomar o pequeno almoço. Visto-me ainda a cambalear e com os olhos meio fechados. Saio de casa de forma vagarosa e sonolenta e reunimo-nos todos na casa do "patrão" da vindima! Começo a ouvir barulho e só penso que tanto barulho logo de manha não!!!

Digo Bom dia de forma arrastada e até algo ríspida por sair da cama tão cedo e do outro lado levo com um elegante e auspicioso "Vá, anda de lá beber um copo de vinho do Porto?!?!"
Possas, pensei (eu sei, ninguém diz possas...), PORRA! São 6h40 da manha!!! Vinho do Porto?!!? Que é feito do tradicional leite? Pronto, com café, para não parecer muito "copinho de leite" como se diz por aqui!
"Anda lá, bebe um copo e come do bolo!!"

E começa a festa :)

Até chegar toda a gente passam uns vinte minutos e dois cálices de vinho do Porto e bolo! Até chegar ao local da vindima passam mais vinte minutos! E quando o pessoal já esta em velocidade de cruzeiro e a trabalhar com afinco...

"Vá, vamos comer!!!"

Porra :), são 9h!!, já comi torradas e bebi leite, depois vinho do Porto e bolo e já vamos comer outra vez!!! Mas pronto, uma coisinha leve ainda vai...

Ora, se há coisa que não existe numa vindima são pequenos almoços "leves". Desengane-se quem imaginava um pequeno almoço com fruta, cereais e afins!!! Nah, isso é coisa de cidade, de betos e em casos mais extremos é até considerado um pouco "gay".
Entre outros, o pequeno-almoço é constituído pelas nutritivas Moelas carregadas de molho, Azeitonas, Bifanas, Panados, Enchidos, Queijos, Bacalhau frito, entre outros! Tudo acompanhado de um bom vinho tinto!!!

São 9h da manhã!!! Aliás, eram, porque entretanto já passou mais meia hora:)
Arruma-se tudo nos cestos (a comida vai em cestos para o campo) e toca a trabalhar!
Ora, penso eu, agora é que vai começar a doer porque até agora ate se aguentou bem!

Voltamos ao trabalho ainda mais alegres que quando começamos (bom do vinho) e agora sim, já começa a cansar. Os terrenos são árduos, os baldes de uvas pesam e começa a fazer calor!...
Depois de uns minutos a trabalhar ouve-se: "Tragam lá o vinho!" Bebe-se e isto passa-se a cada 15 minutos! Mas não muitos quinze minutos porque qual a minha surpresa quando reparo que acabou!
Horas? 10h40!!!

Não pode, deve haver mais terrenos, penso eu...
Não há! Noutra altura a minha primeira reacção seria pensar porque raios tive que acordar tão cedo se isto em duas horas bem trabalhadas ficava tudo feito!!! Mas não, já nem me lembrava de ter acordado cedo!
Não há mais terrenos, vamos para casa!
Ah, pois, mas ainda se vai trabalhar a sério agora!!

É preciso levar as uvas para casa, esmaga-las e pisa-las! Chegados a casa as "mulheres da cozinha" chegam com entradas e cervejas frescas para os valorosos homens e mulheres que tanto trabalharam e mais uma vez.... claro, come-se!!

São 11 e pouco. Depois de restabelecer as forças viram-se as toneladas de uvas para o lagar (vá, 1500 kg, mais coisa menos coisa), esmagam-se as uvas de forma artesanal (esmagadora ligada à tomada) e...

Já está! Passaram 20 minutos!
É quase meio-dia! Claro, toca a comer! Entretanto alguém diz que todos podem ir tomar banho (não se vai trabalhar de tarde?!?) para vir almoçar!

Depois de almoçar a dona da casa ainda diz "Hei, vêm cá à noite comer o bacalhau!!"

Depois de tudo isto eu penso? A maior parte das pessoas não são pagas, usa-se muito a troca de favores, mas se fossem pagas era impossível ter lucro!!! Só eu comi e bebi mais do que o lucro que aquela pessoa pode ter com o vinho!!!

Aqui aprendi mais isto! As pessoas não procuram o lucro, procuram sentir-se bem! A vaidade nas pessoas existe, naturalmente, mas rege-se por padrões tão simples que nem conseguia entende-los! As pessoas valorizam as pequenas coisas! Vivem-se da forma que devem ser vividas. As cores são mais nítidas, as sensações também. As preocupações existem sob a forma de pressupostos quase impossíveis de conjugar para a sua concretização!

Depois de reescrever este texto só penso no cheiro das moelas e bacalhau frito logo pela manhã. Acabei de almoçar mas estou cá com uma fome...