terça-feira, 21 de setembro de 2010

YEAH YEAH YEAHS - LITTLE SHADOW



Haverá sempre pequenas sombras pacientemente à espera de uma oportunidade para nos lembrar que à noite será sempre infinitamente pior...

Porque à noite as sombras do passado tornam-se mais densas, mais presentes, mais constantes e com uma intensidade à qual é impossível resistir. Com os olhos bem abertos focando o vazio no meio da escuridão procuramos respostas e um sentido no que agora nos confunde ao ponto de acharmos que não há saída! Que as sombras nos envolvem de tal forma que as nossas forças abandonam o nosso corpo cansado de lutar e sucumbimos à inevitável força do vazio em que nos encontramos.

Somos um espectro daquilo que projectamos ser e perdemo-nos em considerações vagas, patéticas e sem qualquer tipo de validade humana. Mergulhamos ainda mais fundo, as sombras ganham uma força transcendente ao ponto de se tornarem irresistíveis e de nos fazerem sentir envolvidos por elas de tal forma que acabamos por aceita-las como naturais, chega ate a tornar-se confortável sentirmo-nos envolvidos por elas!

Nesse momento misturamo-nos de tal forma que somos apenas mais uma sombra, mais um elemento insignificante do vazio...

Nunca me deixarei misturar nesse vazio. As sombras nunca serão suficientes para me fazer esquecer quem sou e do que preciso. Tu sabes de que preciso...

A solução é habitualmente simples. Abro a janela e a Lua ligeiramente encoberta pelas nuvens da-me a luz suficiente para me encontrar! Apesar das dúvidas...

Mas nenhuma certeza se faz sem dúvidas. Andamos constantemente à procura de respostas mas muitas vezes não percebemos que não estamos a fazer as perguntas certas...

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Uma carta simples...


A distância cria sempre um sentimento de vazio, seja ele momentâneo ou duradouro. O passado nunca fica no passado! Ele acaba sempre por voltar, mais cedo ou mais tarde, seja para nos atormentar ou apenas para nos lembrar do que podia ter sido! Por isso resta-nos esperar que as coisas voltem ao que foram ou acomodar-mo-nos na certeza que nada volta a ser como outrora!

Ora, eu nunca fui muito de me acomodar, principalmente no que a emoções diz respeito. Não há muito mais para nós neste Mundo. Importam as pessoas e o que elas representam para nós, na nossa vida. Interessam aquelas que se preocupam, que mexem connosco, que entram na nossa vida para não sair mais, as que tocam no coração, que mexem com a nossa cabeça, com a nossa alma!

Nunca fui o estereótipo de nada, nem de homem, nem de modelo comportamental, nem de estilo de vida! Mas agora estou aqui, desejando ser, por uma vez, o teu tipo de Homem! O tipo de homem que não te permitisse ter dúvidas e onde te encontrasses! Ser o teu cheiro, os teus braços, o teu peito, a tua vida, os teus Nadas! Ser algo, o suficiente, para que nenhum outro mundo fosse importante nem nenhuma outra vida fosse completa senão a nossa!

Não estar apenas no teu pulso nem na tua cabeça a cada cinco minutos! Sabia que nada ia ser igual mas não esperava que mudasse tanto a perspectiva que tinha de tudo, até das pequenas coisa. Querer tudo é pouco! O nada já não existe mais...


"Eu não estava à procura nem à espera. Entreguei-te o livro, tu leste, olhamo-nos, sentimo-nos, beijamo-nos.

Foi uma tempestade perfeita.

Quando dei por mim queria passar o resto da minha vida naquele momento, naquela conversa, naquele tempo. Nunca pensei que pudesse passar mas não esperei que voltasse ainda mais forte. E agora estou aqui tentando que tu durasses em mim para sempre dessa forma. Agora estou aqui com a extraordinária sensação de que podes ser a mulher da minha vida.

És completamente louca, de uma forma que me faz sorrir, és neurótica e instável e exiges uma boa dose de manutenção, com muito carinho e concentração para conseguir entender-te. És contraditória e preocupaste demasiado. Acreditas muito em todos os outros quando devias acreditar mais em ti.

Não precisas percorrer o Mundo à procura de respostas quando elas estão muitas vezes tão perto. Não precisas dar esse passo para perceberes do que és capaz. Porque és capaz de tudo, eu sei que sou. E quando mais me apercebo de quem és mais te amo.
Porque apesar de todas as más interpretações para mim és apenas humana, apenas uma mulher linda que erra e que por viver neste Mundo se confunde.

Essa é a boa notícia!

A má é que não sei como ficar contigo neste momento. Não sei como te mostrar que devemos ficar juntos e isso assusta-me de caraças. Porque se não ficar contigo agora tenho a sensação que nos perderemos em algum momento. Não concordo nada que o Mundo seja pequeno, ele é enorme, mau e propício a desencontros e reviravoltas, as pessoas têm tendência a fechar os olhos por instantes e a perder o momento. O momento que poderia mudar tudo. Não há vida sem amor, pelo menos nenhuma que valha a pena viver!...
Não sei ao certo o que esta a acontecer entre nós e não sei como te convencer que devias perder ainda mais tempo comigo. Que deverias arriscar…"



Não sei porque só agora publico esta pequena carta nem se há algum motivo implícito nela. Faço-o apenas pela sensação que ela provoca. Que não é saudade, nem nostalgia, nem dor. Passado ou presente, não sei, apenas certeza que de facto nos perdemos em algum momento. Talvez nem nunca nos tenhamos encontrado...

Poucas coisas na vida são genuinamente sentidas, seja pela tipica desculpa de falta de tempo ou apenas porque a maioria das vezes temos a tendência para desviar o olhar no momento exacto em que algo de bom nos passa mesmo à frente dos olhos.

Mas muitas vezes não basta ter tempo, não basta não desviar o olhar. A sensação de ter tentado eu tenho, a sensação de ter lutado afincadamente por isso também.
Que me resta? Nada... Muito pouco...

Apanham-se os pedaços espalhados pelos caminhos trilhados e seguem-se outros. Sem expectativas nem pretensões desmesuradas, sem frustrações ou dúvidas. Ficar parado não fico, haverá sempre um caminho novo para seguir...

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

All Souls go to Hell ;)


Depois de um mês sem por aqui os pés devido a um mês de Agosto passado a mil, entre trabalho, uns dias na aldeia, uma relação desgastante (no bom sentido claro) e muita borga sentei-me finalmente à frente do computador para escrever. Devia colocar umas quantas bolinhas neste texto ou um aviso "Abrir só se for maior de idade e tiver graves problemas mentais"! E aí vai mais um devaneio passado já há uns dias...

"Hoje acordei transpirado! Agitado! Inconstante…
Uma inquietude própria de quem tem plena consciência que acaba de cometer um pecado capital como um homicídio, um roubo escandaloso ou ouvir um qualquer cd dos Delfins.
Até hoje tenho-me contido para não divulgar os estranhos devaneios que me assaltam durante a noite, uns porque não me lembrava da maioria do sonho, outros pelo ridículo ou falta de conteúdo, mas, como me parece que já não sou capaz de chocar ninguém, hoje é o dia em que abro o capítulo do meu imaginário (inimaginável para a maioria das pessoas) e do sobrenatural! Pelo menos daquilo que me lembro (e já não é pouco)!

Nos últimos dias os sonhos voltaram em força. Sonhos que até a mim causam estranheza ao ponto de acordar em sobressalto e completamente ensimesmado! Talvez por andar mais cansado tenho passado mais tempo na cama (desperdício bem sei) e de forma surreal, inesperada e completamente desmedida o meu inconsciente disparou e levou-me a vaguear por Mundos só comparáveis a uma junção dos filmes de Tim Burton com a banda sonora original de uma qualquer telenovela da Tvi e um casal de ciganos com 8 filhos a requerer o rendimento mínimo garantido num balcão da Segurança Social…
Apesar de tudo já devia aceitar estes devaneios como naturais já que acompanham de forma mais ou menos harmoniosa a minha cada vez mais decrépita mente…

Fica o sonho, ou pelo menos aquilo que me consigo lembrar!

“Bato a porta e saio para mais um dia de trabalho. Estou atrasado e por isso vou em passo apressado pela rua abaixo. Sinto-me leve e deslizo pelo passeio como se flutuasse ao longo da rua cinzenta e desfocada. Nem sequer sinto os pés no chão ou o som dos sapatos. Algo de muito estranho se passa mas não consigo discernir o que tanto me perturba enquanto sigo caminho até ao trabalho. Ao passar no espelho de uma montra percebo a razão da minha inconstância!
Nem quero acreditar no que estou a ver!

As únicas peças de roupa (ou adereços, como preferirem) que tenho no corpo são uns boxers justos do Dartacão com a espada em riste e um chapéu da marinha na cabeça!!!
Devia ficar em choque e correr rapidamente para casa mas a minha reacção ao olhar para o espelho foi franzir o sobrolho e pensar que até nem estava mal! Talvez as pessoas à minha volta pensassem o mesmo porque mantinham as suas rotinas normais e mesmo quando olhavam para mim nada mudava nas suas expressões.
Pensei que como acabei de me mudar de uma pequena aldeia para uma grande cidade isto fosse natural e já ninguém dava muita importância a este facto pelas rotinas já tão intrínsecas em cada um.

De qualquer forma decido que dada a indumentária, seria melhor não ir trabalhar! E é no preciso momento em que decido isso que as pessoas começam a agitar-se, a olhar de soslaio e a cochichar entre elas. Algumas até se dirigem a mim em tom insultuoso e com uma maledicência desmesuráveis. Outras riem-se com sarcasmo, outras que apontam o dedo e ainda outras que parecem capaz de me queimar na praça pública!
Apesar disso permaneço calmo e sereno, apenas completamente estarrecido pelas expressões e actos incriminatórios daquelas pessoas.

Entretanto o que aconteceu a seguir, não sei se por algum desejo reprimido ou por influência de uma genial série de tv, até a mim me choca.

Salto deste cenário e dou por mim num caminho longo, rodeado de árvores altas e sebes rectangulares cortadas de forma perfeita. Ao fundo vislumbro um edifício imponente. Resolvo ir até lá, podia ser que arranjasse umas roupas!
Ao aproximar-me confirmo que se trata de uma igreja enorme, construída ao bom estilo manuelino, com um portão enorme na entrada já aberto e uma pequena porta de madeira pela qual entro.
Ao percorrer a passadeira percebo que as estátuas e figuras religiosas que me rodeiam são um pouco diferentes do habitual. Os anjos têm todos pequenas pilas erectas e estão completamente nus. As figuras femininas também completamente desprovidas de roupa estão com expressões de espanto, mamilos arrebitados e pernas abertas de onde sobressaiem volumosas cabeleiras pretas!
“Com mil raios, onde vim eu parar?! – penso”
Mas ao aproximar-me do altar reparo em algo ainda mais estranho. Um Jesus Cristo preto!! Vestido, é certo, e fiel à imagem original, mas tão escuro que tinha 3 holofotes directamente focados nele!

Tento dissociar-me disso mas no instante em que me ia dirigir à sacristia para procurar algumas roupas Jesus Cristo começa a falar comigo!!!
- Que fazes por aqui? Precisas de ajuda? – diz ele.
Abro a boca de espanto e fixo o meu olhar nos lábios escuros que mexiam e ainda não acredito…
- Vais dizer alguma coisa ou vais continuar com cara de parvo a olhar para mim? – pergunta impaciente.
- Mas... tu és preto! Nunca vi nenhum Jesus preto, mesmo aquele do Benfica é branco e tem cabelo grisalho. Aliás, amarelo. Aliás, branco. Ai, nem sei…
- E que tem ser preto? É por esse tipo de discriminação que este Mundo está em total decadência de valores! Só por isso vais rezar cem pais nossos e cem avé marias!
- Porra… peço desculpa… possas, porque tamanho castigo? – pergunto revoltado e com surpresa.
- Puseste em causa o meu nome, a minha magnificência e divindade! – responde aborrecido.

Antes que agravasse ainda mais a minha situação acato o castigo e preparo-me para rezar quando do nada aparece uma freira com as mãos cruzadas à frente e dirige-se a mim…
- Olá João, tenho estado à tua espera!
- À minha espera? Só entrei para procurar umas roupas e de repente ali o teu marido começa a falar comigo! Ainda por cima obriga-me a rezar sem qualquer motivo válido!
- Não ligues, ele às vezes consegue ser bastante intransigente, talvez devido a uma certa frustração por ser o único Jesus Cristo preto, acho que isso continua a incomoda-lo. Mas diz-me, além da roupa há algo mais que te preocupe? – pergunta ela com uma voz suave e extremamente sensual.
- Bem, há de facto algumas questões mas não quero aborrece-la com isso.
- Não te preocupes João, é exactamente para isso que cá estou! – insiste.
- Há de facto uma coisa que me preocupa, namoro há uns dias mas ainda não consegui leva-la para cama, o que é de facto uma chatice porque foi exactamente por isso que comecei esta relação. Agora diz-me que sexo só depois de casarmos e até estou disposto a isso porque ela vale seguramente o sacrifício!
- Isso é realmente um problema e não me parece que rezar resolva o problema.
- Pois, também não me parece que seja a solução! – digo em forma de desabafo.
- E que tal um broche? – diz ela
- Ahn? – pergunto como se não tivesse entendido.
- Um broche, ia fazer-te sentir melhor?
- Tu... fazeres-me um broche?? – pergunto ainda incrédulo.
- Algo me diz que ele não se vai chupar sozinho – diz, soltando os cabelos compridos e lançando-os para trás das costas com um movimento de uma sensualidade arrepiante.
- Sim, quer dizer, não – exclamo atónito e até confuso – Mas, tu és uma freira? Uma freira toda boa, sem dúvida… E ali o teu marido? – pergunto com algum receio.
- Sou casada com ele mas não lhe pertenço.

Nesse momento ela baixa-se, desce os meus boxers enquanto eu coloco o chapéu da marinha à frente dos olhos do Jesus preto e exclamo num misto de satisfação e inabalável certeza:

“Meu Deus do Céu João, vais arder no Inferno…”"

(**)

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Paga e não "sopres"...


Hoje fui multado!
No exacto momento em que atendo o telemóvel passa um carro da polícia por mim que não se inibiu de inverter a direcção que seguia numa linha contínua e colocar em perigo os condutores que seguiam em sentido contrário.

Algum tempo depois encosto e sou abordado por um polícia ainda novo, forte mas ágil, de expressões carrancudas e visivelmente mal disposto!

- Os seus documentos e os documentos da viatura!
- Pelo menos Bom Dia não? – digo eu…
- Vamos ver se é um bom dia ou não - replica o shor agente!
Saio do carro pois os documentos estavam no banco de trás…
- Alguém o mandou sair do carro? – Pergunta num tom claramente agressivo.
- Os documentos estão no banco de trás e como os pediu tenho de sair do carro - argumento.
- Então ande lá e volte para o seu lugar.

Assim fiz. Até este momento ainda não me tinha dito o motivo pelo qual estava a ser multado apesar de eu já saber a resposta. Pouco tempo depois volta ao meu lado e pergunta:
- A carta verde?
- Está no porta-luvas.
- Então faz favor de ma facultar!

Tiro a carta verde, entrego-a e nesse momento saio do carro novamente. Aproximo-me deles, entretanto tinha chegado outro agente ao local (acho que é obrigatório serem dois) e fico a observa-los enquanto o primeiro tira todos os dados necessários para elaborar a multa.
- Você sabe qual o motivo pelo qual esta a ser autuado? – Pergunta o agente.
- Sei, mas se me quiser elucidar nos termos técnicos adequados agradeço.
- Você ia a falar ao telemóvel enquanto praticava o acto de condução – responde visivelmente irritado e com cara de quem bebeu meio frasco de laxante instantes antes de começar a fazer efeito.
- Sim, ia de facto a falar ao telemóvel – confirmo, já descrente na possibilidade de safar a multa.

Nesse momento é-me dito o valor da multa que paguei na hora.

Entretanto o agente continua a tirar dados do carro, perdão, da viatura, e a analisar os meus documentos. Ao analisar a carta verde pergunta no alto da sua suprema sabedoria:
- Você não sabe que a vinheta no canto da carta verde é para recortar pelo picotado e colocar no vidro do carro?
- E você não sabe que existem cartas verdes que têm duas vinhetas, uma em cada canto, e que uma delas já se encontra colocada no vidro do carro? – respondo de forma corrosiva e já farto da arrogância daquele agente!
- Ouça lá – responde ele – não precisa ficar mal disposto, nós estamos apenas a cumprir o nosso dever.
- Eu pelo menos tenho um bom motivo para ficar mal disposto porque acabei de pagar 120 euros de multa enquanto você está mal disposto e mal-encarado sem motivo nenhum! E quanto a cumprirem o vosso dever sim, se ele se basear em passar multas, estão a faze-lo de forma exemplar.

Entretanto afasta-se, suponho que para analisar o carro para ver se me podia multar por mais alguma coisa tal a forma minuciosa como analisou cada detalhe, e fica o outro agente, bem mais agradável, que me aconselha a ter calma.
Depois da revisão integral do carro o agente continua a tirar dados (se eu fosse polícia nunca passaria multas tal a complexidade burocrática que tal acto exige) e ao passar a morada para o registo da multa questiona-me:
- Santa Eugénia?... Isto fica onde?
- Olhe, descubra! – respondo de forma seca e directa.
- Pertence a Vila Real – responde, para minha surpresa, o segundo agente enquanto era fulminado pelos olhos do primeiro.
- Aqui tem o recibo da multa – diz ele estendendo a mão.
- Acho mal – digo eu – acabei de pagar 120 euros e nem a um brinde tenho direito! Pelo menos um crachá da polícia a fingir ou algo do género, só vos ficava bem…
- Espere uma notificação da antiga DGV por causa desta multa e prepare-se para uma eventual inibição de conduzir durante algum tempo – diz ele ignorando o que eu tinha referido numa tentativa de aliviar a tensão e já conformado.
- O quê?!?! Por causa de atender o telemóvel por segundos vão-me inibir de conduzir?!? – exclamo, completamente incrédulo.
- Não foi apenas por esse motivo, foi o acto de usar o telemóvel enquanto praticava o acto de conduzir e por comportamento injurioso para com um agente da autoridade. Tenha um bom dia!

FUCK...

sábado, 3 de julho de 2010

Sexóloga ou Prostituta?!

Depois desta visão aterradora combinei almoçar com uma amiga que já não via há algum tempo. Precisava distrair-me para esquecer rapidamente a experiência assustadora descrita no último post.

Cheguei mais cedo ao restaurante, não dava para ficar na esplanada porque estava muito vento e entrei. Sentei-me a um canto e observei a sala. O restaurante era agradável, decorado de forma simples mas com bom gosto e requinte. Mesas de madeira distantes umas das outras e cadeiras confortáveis...

Estavam apenas duas mesas ocupadas, uma com um casal estrangeiro que revelava mau estar dado as expressões carrancudas e fechadas que ambos manifestavam e uma outra, mais perto de mim, com duas senhoras de alguma idade mas muito bem vestidas e arranjadas que dissertavam sobre algo tão profundo e arrebatador como a última história de vida revelada no programa da manhã da TVI. Ao balcão uma mulher elegante e sedutora desfolhava uma revista que, à distância onde estava, não conseguia identificar e bebia um cocktail verde num copo em forma de triângulo e com uma haste comprida.

Naturalmente a minha atenção ficou presa na duas mulheres de idade e na extraordinária história de uma mãe que sozinha conseguiu criar 8 filhos de forma exemplar. Elas iam expondo argumentos de forma sucessiva e em evidente comoção interrogando-se como uma mãe, sozinha e com permanentes problemas de saúde conseguiu fazer daqueles 8 filhos exemplos da sociedade moderna! A luta daquela mulher remeteu-me logo para personagens como Mahatma Ghandi, Martin Luther King, Madre Teresa de Calcutá, etc...
O facto de metade dos filhos estarem presos por tráfico de droga distorce um pouco o conceito de educação exemplar ou modelo social mas não se pode ter uma visão tão redutora da sociedade e a conjuntura actual também não nos deixa muitas saídas!

Estava eu perdido nestas considerações quando entra a minha amiga. Não tinha muito tempo para almoçar pois trabalhava de tarde por isso tratamos de pedir algo rápido. Conversamos um pouco, por momentos consegui esquecer a terrível experiência de verificar que há casas cujo estado e decoração faz lembrar algo entre uma pocilga de porcos e uma barraca de farturas e passado pouco tempo ela disse-me que tem de ir para trabalhar.
Despeço-me mas decido ficar mais um pouco. Peço algo para beber...

O restaurante tem agora mais gente. As simpáticas senhoras ao meu lado conversam agora sobre o divórcio do sr. Manuel das cortinas. Está mais barulho e não consigo ouvir os detalhes mas o impacto desta história também não tem a envolvência emocional nem prende a atenção como a anterior. Pelo meio das pessoas e empregados reparo que a mulher ao balcão se mantem exactamente no mesmo local. Fixo o olhar nela com mais atenção...

Alta, postura altiva e elegante, pernas longas e bem definidas, delicadamente cruzadas sob um vestido curto cujas alças pousavam de forma perfeita nos seus ombros firmes e ligeiramente debruçados sobre o balcão. Pele suave e visivelmente bem tratada, um decote simples mas saliente deixava a certeza que por baixo moravam uns seios com tremendo potencial!
Rodou ligeiramente no banco onde parecia levitar e deu para ver claramente que a face acompanhava de forma harmoniosa a beleza de um corpo cativante e ao qual era impossível ficar indiferente!

Ao rodar ficou de frente para mim. Mantive-me sereno apesar de algo inibido pela beleza avassaladora daquela mulher. Irradiava sensualidade, erotismo e quando fixou o olhar em mim não consegui desviar o olhar como se houvesse parte do meu corpo que fosse controlado por aquela mulher. Esboçou um sorriso tímido mas confiante, eu correspondi. Mordeu o lábio vagarosamente enquanto rodava o corpo para um lado e para o outro alternadamente e de forma suave e claramente provocadora. Continuamos a trocar olhares de forma cada vez mais cúmplice apenas interrompido pelo passar de pessoas constante na sala que se tornava cada vez mais pequena!

Decido levantar-me e ir ter com ela. Alego que ela me tinha chamado, ela rejeita esse argumento ripostando que não disse ou fez nada! Contraponho dizendo que ela tinha claramente insinuado por gestos para ir ter com ela e, depois de alguma persistência e argumentos irrefutáveis (ridículos), ela me convida a ficar!
Reparo nos seus grandes olhos verdes, nariz pequeno, nos lábios vermelho vivo, no pescoço exposto e confirmo o potencial do seu peito...

Depois de um quarto de hora de conversa embalada por uma quantidade considerável de bom vinho tinto e dois mojitos começo a tentar saber mais sobre ela. Tinha sido sempre muito evasiva em relação a ela e, apesar de não me interessar mais histórias de vida depois da última descrita pelas senhoras ao lado da minha mesa, precisava de a por a falar!

Mais valia estar calado pois uma das primeiras coisas que ela me disse foi "Quem me quiser tem de pagar!!"
Num primeiro instante pensei que esta afirmação significava que quem quisesse ter algo dela teria de lutar por isso por ser uma mulher de boas famílias, com princípios, teria de mostrar ser digno do seu afecto e dos seus enormes seios...
Mas não, o que ela queria dizer é que quem quisesse sentir aqueles belos seios e mergulhar no meio daquelas altas e elegantes pernas teria mesmo de pagar!!!

Uma profissional do sexo!!! (Não uma sexóloga como ingenuamente uma amiga minha me questionou, uma prostituta mesmo)...

Num primeiro instante não acreditei, disse-lhe que ela era demasiado bonita e elegante para ser prostituta. Mas ela reafirmou-o tantas vezes quantas necessárias para me convencer disso...
Não fiquei em choque mas também não esperava essa revelação! Por momentos passou-me pela cabeça se ela não seria um dos 8 filhos da história ouvida momentos antes e ainda pensei perguntar-lhe se tinha irmãos mas achei despropositado dado o contexto!

Senti curiosidade em saber mais sobre a actividade dado ser a minha primeira conversa com uma profissional do sexo. Contou-me que trabalhava por conta própria (sem chulo - profissional liberal), que há três anos estava ligada a uma agência de serviço de acompanhantes, desde os 21, e que apesar de alguns contratempos não se arrependia! Disse-me que adorava sexo (encontrou a profissão certa para exercer a sua vocação) e que só atendia executivos com menos de 40 anos, muitos políticos, advogados, etc...
Era uma pessoa extremamente simpática e acessível, de conversa fácil e perspectivas bastante pertinazes e inteligentes apesar da sua tenra idade!

-Nunca paguei por sexo nem nunca o faria - disse-lhe eu.
-Não me digas que és um dos típicos moralistas que alegam que nunca traíriam as suas mulheres mas que à noite recebo no meu apartamento? - ripostou.
-Nada disso, sou tudo menos moralista, é apenas uma questão de princípio, não tenho nada contra quem o faz e sinceramente até acho mais honesto pagar por sexo que andar com os rodeios típicos de quem apenas quer levar uma mulher para a cama!
- Então não pagavas para ter sexo comigo?
- Não, até porque depois de estares comigo irias dar de graça para mim! - afirmei com convicção!
- E tu depois de estares comigo pagarias o dobro! - disse ela com um sorriso confiante...

No final disse-me que gostou de mim e escreveu o número de telemóvel na base do copo já vazio e tentou convencer-me aliciando-me com uma noite inteira pelo preço de uma hora! Ainda hesitei mas disse-lhe que não esperasse uma chamada minha. Despedi-me, agradeci aquela agradável hora de conversa (que não tive de pagar), desejei-lhe felicidades e saí...

Moral da história: Meter conversa com uma mulher bonita, ser convidado para novo encontro e ficar com o número de telemóvel pode não ser assim tão fantástico como parece...

sábado, 19 de junho de 2010

Uma Casa Portuguesa



O dia tinha começado calmo como habitualmente.
Não tinha grandes afazeres à excepção da visita a mais uma casa na tentativa de me mudar de vez para o Porto!
As expectativas eram altas. Apesar de ser um pouco afastada do meu futuro local de trabalho as áreas eram boas e o tom de voz efusivo com que a senhora da Imobiliária falou sobre o apartamento criou em mim um entusiasmo desmedido.

Combino esperar por ela num local perto do apartamento como referência (podia ter usado o acampamento cigano como referência porque é impossível não reparar) e à chegada do citroen verde escuro segui-a.

As minhas elevadas expectativas começaram a baixar à medida que fui entrando no bairro! Prédios enormes cinzentos elevavam-se a cada cruzamento que passava, quase impedindo que o sol entrasse. As ruas estavam sujas, as pessoas berravam e insultavam-se. Pressenti que a qualquer momento ia surgir do nada um gang de marginais munidos de metralhadoras e laços na cabeça a entoar cânticos de guerra contra um outro gang numa qualquer luta territorial e eu no epicentro da batalha final!! "Pode ser que este seja só um atalho e o apartamento fique bem longe daqui" - pensei eu...

Mas não, umas centenas de metros mais à frente ela fez-me sinal para estacionar. Estaciono. A minha primeira reacção foi inventar uma qualquer desculpa e pisgar-me dali para fora mas no momento pareceu-me indelicado não ir pelo menos ver o apartamento.

Ela saiu do carro com total naturalidade, como se tivesse conduzido de olhos fechados o tempo todo, e com um tom de voz calmo e acolhedor disse-me: -A zona é agradável não é?
"Agradável??? Só pode estar doida" - pensei...
-Esta zona é sossegada, lá em cima é que é pior por causa dos ciganos. Mas não se preocupe, eles raramente vêm para estes lados e por trás do prédio tem a polícia!
Achei piada ao facto de um dos primeiros argumentos que ela referiu para valorizar a casa ter sido a presença da Polícia por trás do prédio!

Atravessámos a estrada e o que, em tempos, devia ter sido um pequeno jardim. Agora era um emaranhado de silvas e ervas secas. Abriu a porta do prédio com extrema facilidade. A ranhura tinha um aspecto estranho, era circular e com rasgos em volta. E ainda mais estranho foi o facto da chave ter um aspecto perfeitamente normal. "Aquela fechadura já deve ter sido forçada com mais objectos estranhos que a Cicciolina!" - pensei...

Subimos ao 8º andar. O elevador foi uma surpresa. Estava com um aspecto razoável, com a cor ainda ligeiramente visível, sem ameaças de morte escritas nas paredes, até ainda tinha parte do espelho pendurado na ranhura! Mal o elevador começou a subir percebi que tinha um aspecto aceitável porque ninguém o devia usar! Ruídos estranhos e solavancos constantes. O ranger das cordas à medida que o elevador ia subindo aumentava de tom. Sempre que o elevador passava um piso fazia um "tack" assustador! O mais estranho disto tudo é que a pessoa ao meu lado permanecia serena e a fazer perguntas de uma forma completamente descomplexada e segura!

Finalmente o elevador parou. A porta abriu-se e eu saí ainda meio tonto e combalido. Ela indica-me a entrada do apartamento. A porta estava intacta! A fechadura também!
Mas o meu entusiasmo depressa se desvanesceu. Entrei e o cenário foi algo de completamente surreal!

Paredes destruídas, azulejos partidos, portas dos roupeiros fora do lugar e, o mais estranho de tudo, uma porta que dava para a rua! O que seria perfeitamente normal se o apartamento não estivesse situado num 8º andar e se abrindo a porta tivesse uma varanda! Mas não, havia apenas três barras em que a mais alta dava pelo joelho e depois um vazio completo!!! "Seria fantástico se tivesse intenção de me suicidar!!!" - gritou o meu inconsciente!

A senhora assegurou-me que mais barras iriam ser colocadas para evitar acidentes mas mesmo assim não fiquei convencido!
A cozinha tinha as paredes completamente destruídas, os canos estavam arrancados, vidros partidos, o chão em madeira da sala estava riscado e levantado!

Misturado com estas sensações de horror entoava na minha cabeça a preocupação óbvia: "Será que ainda teria carro quando descesse?" Afinal já tinham passado cerca de 5 minutos, tempo suficiente para partirem os vidros, roubarem o rádio, os bancos, os pneus, jantes...

Entretanto essas preocupações varreram-se da minha cabeça no momento em que a porta da casa de banho se abriu! A banheira e a sanita estavam pretas, o que me levou a pensar por segundos que seria uma qualquer nova tendência de louças sanitárias, já que combinava com o chão preto e os azulejos verde escuro, mas foi mesmo só por breves segundos. A cortina branca da banheira estava amarela alaranjada! Estava a começar a ficar agoniado (aguentei-me bem não?) quando a senhora olha para mim e vendo a minha cara de choque diz-me muito calmamente: "Parece que não ficou muito interessado! Não se preocupe que ainda se vai dar um jeito à casa antes de ser alugada"!!
Que sensibilidade por parte da senhora, percebeu claramente o meu estado de espírito. Fiquei desde logo mais descansado, respirei fundo, abri a porta, desci as escadas a correr, abri a porta de entrada do prédio (eu sabia, a fechadura não funciona), meti-me no carro ainda intacto e só parei quando já estava bem longe dali...
:)

Damhnait Doyle - I Want You To Want Me



Depois de uns dias mergulhado em intenso estudo (que ainda não terminou) e num vai-vem constante de viagens entre Porto e a aldeia resolvi fazer uma pequena pausa!

Primeiro para colocar uma versão mais soft da excelente música dos Cheap Trick "I want you to want me"...
A segunda... Já não me lembro... Tanto estudo está claramente a fazer-me mal à cabeça...
Ah, já sei, para postar um texto que escrevi há uns dias mas que ainda não tinha colocado aqui porque o tempo que passo ao pc é para estudar e as pausas que faço são longe da net!

Fica a música, o texto vem já a seguir...

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Monólogo de um Dia assim...



There's no more trains going that way
There's no more trains coming this way
You better make your way home, son
There's something going down in London

Well That ain't gonna stop me
So I step out the station and what do I see?
Traffic for days
Let me walk a bit and I'll see where it get me

Then it all went slow motion, everything slow motion
First came the flash of lights then the sound of explosion
And we're still in slow motion, we're still in slow motion

On these streets where I played
And these trains that I take, I saw fire
But now I've seen the city change in
Oh so many ways, since the days of fire
Since the days of fire

Now I'm on the train going that way
There were too many people coming this way
Delayed trains, delayed trains
Didn't plan for death on the subway

So I step out the station, brazilian name all over TV
Realization - I was on the next train - could 've been me

Then it all went slow motion, everything slow motion
First the flash of light then the rise of emotion
And I'm still in slow motion, I'm still in slow motion

On these streets where I played
And these trains that I take, I saw fire
But now I've seen the city change in
Oh so many ways, since the days of fire
Since the days of fire

One day going that way, one day going this way
Those summer days, that crazy phase
Like a jack-knifed car on the highway

Just two mad situations, fire on the news, fire on TV
A bus, a train station, the crossfire sights of destiny

Now it's all gone slow motion, everything slow motion
The lights gone out - I feel no more emotion
I'm all out of emotion, I'm out of emotion

On these streets where I played
And these trains that I take, I saw fire
But now I've seen the city change in
Oh so many ways, since the days of fire
Since the days of fire

Um novo amanhecer...

Desperto calma e em silêncio. O único som que rompe este silêncio é o de ondas que rebentam delicadamente à minha volta…
Mas mesmo o Mar está calmo. Olho à minha volta e vejo-te! Mais uma noite que deixa pequenas cicatrizes de mágoas mal curadas!

Sou o Teu Dia. Sou apenas mais um Dia entre 365 num ano. Entre milhares em cada vida…

Mas sou sempre um novo Dia, a cada manhã renovo-me para ti. Com novas perspectivas. Expectativas. Esperando ser para ti aquilo que necessitas que seja!

Especialmente hoje vou olhar por ti. Vou dedicar-me a fazer-te sentir Bem…

Bem cedo, ainda a Lua resiste ao amanhecer, mando entrar o Sol. Mas ele teima em não brilhar. Preguiçoso, permanece escondido…
Por isso acordo cinzento. O meu Céu esta coberto de nuvens. Não chove mas estou mais escuro…

Mas isso pouco importa, hoje vou dedicar-me a ti.
Acompanho-te. Olho-te. Deixo que me sintas. Sou de todo o Mundo mas apaixonei-me por ti. Apaixonei-me por tudo que representas. Pela forma como me vives. Me preenches. Me olhas. Pela forma como me dás significado e me sentes a cada momento...

Apaixonei-me pelos teus pequenos nadas, pelos teus silêncios preenchidos. Pela tua forma de ser e estar!

Hoje preciso durar mais. Não sou o Dia mais belo, nem o mais desejado, mas hoje sou Teu! Hoje não sou apenas mais um dia…
Desde que acordo até que me deito vejo autênticos milagres. Vidas mudadas, sorrisos sinceros, abraços que confortam, lábios que amam. Beijos perdidos…

Mas hoje serás tu o meu milagre…

Por isso se precisares de mim eu fico acordado toda a noite para te fazer companhia se te sentires sozinha…

E se me aproveitares, se me usares, se pensares em mim e me sentires, amanhã prometo fazer o Sol levantar-se e brilhar para ti. Para te aquecer. Confortar. Para te beijar e fazer sentir amada, para te sentires de novo, radiante, impaciente, algures entre o êxtase e um qualquer lugar mágico. Para te encontrares...

E a cada amanhecer nascerei de novo para te aprender. Soltarei os teus fantasmas até te sentires segura, até nada receares.
Ainda que sejam desejos mudos são vontades eternas…

Há muito tempo que não me sentia um dia assim…

domingo, 30 de maio de 2010

B. B. King - The Thrill Is Gone (From B. B. King - Live at Montreux 1993)



Ontem, o rei do Blues veio a Portugal. Estranho pelo facto de iniciar uma digressão europeia num concerto livre e numa pequena vila do alto Douro. Eu e as mais de vinte mil pessoas presentes agradeceram. É realmente fantástico ver um senhor de 85 anos tocar com a paixão de um miúdo que dá os primeiros acordes, puxar pelo público de uma forma autoritária como que a exigir mais de 20 mil pessoas que se não vibravam de forma mais eufórica era pelo facto de estarem incrédulos com a energia e paixão que se soltava a cada acorde da guitarra que parecia ter voz própria.

Apesar das dificuldades motoras que o impediram de se levantar sozinho e de se retirar numa cadeira de rodas a alma e paixão pelos Blues continua Jovem e mais intensa que nunca. Foi uma noite perfeita. Sabrosa foi ontem local de peregrinação. Encontravam-se pessoas de todo o lado. Espanha, França, Inglaterra, Estados Unidos e de todos os pontos do País acorreram homens e mulheres, muitos deles jovens, para assistir a mais uma prova viva de que a paixão pela música se sobrepõe à idade ou estado social.

No fim, soube a pouco. Mas isso é uma inevitabilidade de todo e qualquer concerto que nos marque. Este foi marcante pela história, pela densidade musical e pela paixão que sobrevoou o parque Verde das Piscinas Municipais de Sabrosa.

PS- Não se interrompe um concerto para operações políticas de charme. De qualquer forma obrigado pela oportunidade de ouvir bem perto um dos mitos vivos da guitarra e dos Blues!

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Nem tudo o que luz é Ouro!


Este texto é basicamente sobre tudo o que é bom acaba depressa! Pode durar um dia, uma semana, pode durar 35 horas…

Não é suposto ser profundo nem tão pouco esclarecedor. Rapidamente percebi que não posso ter a pretensão de ensinar nem aconselhar ninguém porque no fim tudo o que digo se transforma em merda!

Acreditar em algo será sempre melhor que menosprezar todo e qualquer significado que algo possa ter para nós, seja ele emocional, material ou um qualquer feiticismo ligado aos nossos desejos mais íntimos. Somos, por natureza, seres carentes de acreditar em qualquer coisa e com uma necessidade extrema de nos sentirmos conectados a algo que dê um maior significado às nossas vidas! Para lhe dar um rumo, para sobressair no meio de tudo o que nos rodeia, mesmo que isso implique uma total inibição de sentimentos.

Estou neste momento mergulhado em sensações contraditórias que me impedem de pensar com clareza. Não obstante mantenho-me à tona dessas sensações porque aprendi recentemente que nem sempre as coisas obedecem à lógica ou à razão. Ou melhor, se calhar até obedecem, eu é que não as entendo.

Sei apenas que temos uma capacidade incrível e inata de complicar as coisas simples e de nos alhearmos de sentir algo mais complexo, que exige manutenção, trabalho. E, contrariando a nossa natureza, destruímos tudo o que nos toca de uma forma particular apenas na esperança que nada abale o nosso mundinho, as nossas pretensões futuras e nada, nem a maior sensação de todas, irá conseguir mudar isso…

E assim vou indo, perdido em dúvidas alimentadas por sensações contraditórias e metamórficas. Pelo menos ainda sinto alguma coisa, valha-me isso!

É muito bonito acreditar em finais felizes mas, se só nos fodemos, se só vivemos à margem do que realmente vale a pena (quando sabemos e sentimos o que é verdadeiro e importante) vai chegar um momento em que a nossa visão das coisas se vai tornar tão redutora e abstracta que temos de dizer “Que se foda”!

Esquecemos o que aconteceu fazendo de conta que não existiu, vamos para bem longe de tudo o que possa trazer sensações passadas e seguimos acreditando que “este” é o melhor ou único caminho!

Há “momentos perfeitos” mas eles provocarão sempre sensações antagónicas de proporções desmesuradas! Esquecer ou desistir é impossível. E sem saber muito bem o que fazer, o que pensar, continuo ingenuamente a acreditar. Não consigo dizer Adeus mas também não consigo ficar à espera, por isso julgo que este é um daqueles momentos em que tenho de dizer "QUE SE FODA"!

(. .)

sábado, 15 de maio de 2010

A sair ou a entrar no buraco???

Depois de uns tempos mergulhado no lado negro das trevas volto mais fresco e cheiroso que uma vagina acabada de lavar onde, em abono da verdade, vale sempre a pena mergulhar!

Mas sosseguem as mentes inquietas que tão preocupadas estavam com a minha saúde mental. Já coloquei de lado o livro satânico, velas, galinhas pretas e pinturas de adoração ao diabo. Parei com os rituais de auto mutilação e até ponderei pedir a sua santidade o Papa que me viesse exorcizar os demónios que tanto atormentam a minha imprevisível e sombria alma! Mas o facto de ser maior de idade e de ser considerado pelo Vaticano como um caso perdido frustraram os meus intentos. Depois de todos os escândalos da Igreja o que eles menos precisam é de milagres falhados.

Ainda pensei ir a pé a Fátima mas era perigoso. Não sou propriamente um exemplo do cristão exemplar. Acho que a última vez que fui a uma igreja foi para entrar à socapa na sacristia e vestir a batina do padre! Se encontrar a foto anexo-a a este texto:)

Ainda há dias um par de peregrinos pereceu devido a (mais) um atropelamento fatal! Entretanto promovi um inquérito de opinião que depois de analisado incidiu em duas conclusões base!
Algumas pessoas deixaram de acreditar em Fátima “Se Fátima realmente existisse não deixaria que a vida daqueles devotos fosso ceifada de forma tão cruel”. A outra e que recolheu maior unanimidade é “Aqueles peregrinos não iam com a carga de fé que tal viagem acarreta”.

Seriam portanto pessoas que estavam a cumprir a promessa que alguém fez e que por algum motivo não pôde cumprir, indo por isso naturalmente descontentes - “Raio da velha, faz as promessas e eu é que tenho de levar com elas” - ou então peregrinos que iam a Fátima apenas pelo prazer de caminhar pelas belas nacionais do nosso País ou ainda outros que iam de arrasto e se fartaram de barafustar por serem levados pela família a caminhar durante horas!
“Crise de fé” portanto…

Mas o pior que se pode fazer depois de sair do buraco é entrar noutro falando de religião.

Regresso a casa apenas por um dia! Resolvi ser mais um “patriota” a contribuir para tirar o país da crise e comecei a procurar trabalho a sério. Levo esta questão da pátria tão a sério que até espero pagar 1,5% do meu salário para alimentar mais erros deste governo e ajudar as nossas multinacionais e bancos a sobreviver com mais uns míseros milhões de lucro por trimestre! Além disso, e como estamos a atravessar um momento de prosperidade único, emprestamos dinheiro a toda a gente. Toca a contribuir...

Lá vou eu pró buraco outra vez! Política e economia não…

Na conjectura actual não me parece que consiga falar de alguma coisa que não seja considerada deprimente ou sensível.
A economia está de rastos.
Na Igreja estão ainda muito recentes os casos de pedofilia.
Ultimamente quando um político abre a boca é para aumentar os impostos ou para contrariar o que tinha dito há dias atrás.
O Benfica ganhou o campeonato.
Na educação uma professora primária resolveu posar para a Playboy…

Espera...

Mas esta é uma boa notícia! Graças a Deus (blasfémia) que à minha professora primária não lhe deu para estas coisas, ia ter pesadelos até ao fim dos meus dias...

Agora desculpem-me mas tenho de ir folhear a Playboy enquanto tento fazer a inscrição pela net na escola primária de Mirandela para tentar melhorar notas. O mercado de trabalho assim o exige…
0-

segunda-feira, 10 de maio de 2010

A New Beginning


Não consigo conceber que te mantenhas imune ao que te ofereço!

Não consigo acreditar que sempre me tenhas resistido, imperturbável à minha força, à incontornável dor que inflijo a quem me ousa resistir. Sempre me mantiveste à margem de todos os teus estados de espírito. Uma alma que sempre desejei possuir mas que, mesmo agora, teima em me bloquear a entrada!

Mas se és tão forte e seguro porque raios continuas a olhar-me fixamente?

Entraste num coma profundo mergulhado num mundo de frustrações. Quase a sufocar no ar rarefeito de memórias passadas e momentos que provavelmente não voltam mais! Nostálgico, distante e saudosista!

Não deves ceder ao ruído. Não deves dançar ao som de músicas que possam alterar o teu estado de espírito. Não te tentes pelos anjos que teimam em arrastar-te para aquilo que foi, para aquilo que devia ser. Não te iludas mais, já estou nos teus sonhos, nos teus pensamentos e em breve irei ficar dono de ti e envolver-te-ei pela cruel realidade que teimas em não querer assumir. É tão óbvio e incontornável que nada irá impedir-me de te possuir por completo, de te abraçar e aconchegar nos meus longos braços.

Toda a alma tem um preço e a tua será minha. Irei compensá-la pela tremenda resistência que demonstrou possuir. Deixa-me entrar, deixa-me cuidar de ti, deixa-me ser dono da tua capacidade de sentir e prometo-te que não voltarás a sentir dor, nem saudade, nem Nada…

Tu sabes que vou continuar a procurar-te, eu não vou desistir dessa alma valorosa e negra pela capacidade de sentir. As tuas lágrimas vão continuar a alimentar-me e não vão deixar de correr, eu não vou deixar! Vou ser uma presença constante no teu ser e irei apoderar-me de ti. No silêncio da tua alma serei um inquilino indesejado, a cada momento de fragilidade irei usar todas as chaves para tentar abrir a porta do teu ser e irei acabar por entrar, nem que seja à força…

Tu sabes que não poderás resistir muito mais. Sem esse amor estarás sempre dividido e a tristeza não irá abandonar-te até te entregares. Já estas muito próximo do abismo, mais um passo e acaba! Dá esse passo, fecha os olhos por um instante e deixa-te cair!
Percorre o caminho que te levará até mim.

Ao início sentirás frio e desconforto, sentirás espadas a trespassar-te o coração, dores de cabeça que te farão gritar em desespero e sentirás a tua mente esvaziar por completo enquanto a tua alma te vai abandonando lentamente até te libertar do que nunca poderás ser ou ter!

Mas se não o fizeres será infinitamente pior.
Andarás perdido entre Mundos opostos e nunca te encontrarás. O sofrimento será eterno e a tua vida será sempre um vazio de cores, sons e cheiros. Viverás cada dia e noite em agonia constante porque nada se poderá comparar ao que podia ter sido! Abdica desse tormento, passaram vários dias e a tua dor não mitigou, pelo contrário, cada vez o aperto é maior, mais sufocante e chegará uma altura em que se tornará insuportável. Abdica disso antes que seja tarde demais. Antes que a tua alma trespassada pela dor se perca de ti tornando-te num ser moribundo e obsoleto. E quando isso acontecer ela já não me servirá de nada…


Fala comigo, há dias que não dizes uma palavra! Senta-te à minha mesa, deixa-me beber o teu sangue e alimentar-me da tua alma! Em troca dar-te-ei uma vida livre de tormentos, livre desse desassossego constante, livre de tudo o que agora te torna num vagabundo miserável e patético. Num ser indesejável, taciturno, cego.
Não há nada para ti aí! NADA!!!

Sempre estive presente, nunca te deixei sozinho, mesmo quando me rejeitavas e afastavas! Tenho tempo para gastar contigo e a eternidade para te oferecer. As portas estão abertas, a mesa está posta e os teus desejos serão ordens em troca de algo que até hoje apenas te tornou fraco, incapaz e em permanente dor.

A tua alma!

"Sai! Não gosto que estejas a olhar para mim porque o teu olhar causa-me arrepios. Nem sequer quero saber ao que vens. Olho-te apenas porque me intrigas e porque sei ser capaz de resistir-te!
Sai! Desaparece. Vai para bem longe de mim, desiste!

Mesmo quando estiver despedaçado por dentro, mesmo que tudo o que me aguentava desapareça, mesmo quando um amor desista de lutar pelo que quer, mesmo que saia da sua cabeça, mesmo que todas as luzes se apaguem, mesmo que tenha de dizer Adeus, mesmo que não volte a sorrir, mesmo que morra uma e outra vez, não cairei mais, não adormecerei de novo. Não serei apenas mais um. Não venderei a minha alma a demónios disfarçados de benfeitores.

Porque mesmo na cruel e incontornável impossibilidade seremos sempre um pouco mais se seguirmos a NOSSA vontade. Se seguirmos os nossos caminhos e não aqueles que nos impõem. Se tivermos a coragem de seguir tentando, por cada vez que morrermos viveremos de novo.

As sombras estarão sempre lá, momentos passarão em claro, sofrimento será infligido, tanto que estaremos num ponto em que a tentação de saltar será tanta que o nosso corpo parece ganhar vontade própria para ir…

Mas nem o pior estado de dor e tristeza me fará esquecer que deste lado haverá sempre algo que valha a pena. Um Adeus será sempre um Até Já se assim o quisermos!

Haverá dor e desilusão, melancolia e tristeza, saudade e nostalgia mas em contrapartida a minha capacidade de sentir estará intacta e, na mesma medida haverá momentos de felicidade extrema, paixão e “momentos perfeitos”.

E, mesmo perdido, sem controlar os pensamentos, as imagens ou as sensações, mesmo que o corpo trema de desejo e medo haverá sempre um espaço algures entre o êxtase e um qualquer lugar mágico onde nos encontramos e percebemos claramente quem somos, o que precisamos e que o nosso caminho será sempre aquele que o nosso coração decidir percorrer…"

sexta-feira, 7 de maio de 2010

UnderWorld


Hoje é uma dessas noites. Bebo apenas à espera que apague completamente!

Na minha cabeça ouço vozes e risos estridentes de demónios sedentos por entrar dentro de mim e se apoderarem do que resta da minha debilitada alma! Hoje nada tem lógica, nada faz sentido e espero apenas que a noite me envolva e adormeça!
Estou farto que me digam que estou errado, que estou fodido e que nada em mim faz sentido porque todos os dias olho à minha volta e vejo pessoas bem mais erradas e perdidas que eu!

O meu pequeno mundo é o recreio em que hoje todos parecem querer brincar. Uma sequência interminável de anedotas sarcásticas com o meu nome! Não consigo reagir e renuncio com abnegação ao facto de ser impossível contornar o estado de dormência inexorável no qual a minha alma mergulhou neste instante…

Fala comigo, não consigo esquecer-te.

Não me reconheço mais! Preciso encontrar a energia para sair deste estado de incomensurável letargia a que sucumbi abruptamente! Mas mergulhei de forma tão repentina que me esqueci de inspirar e agora o meu sofrimento será rápido mas o meu desespero será infinitamente pior!

Tento agarrar-me mas só consigo sentir a água entre os dedos. Abro os olhos e levanto o olhar mas apenas vejo formas de sensações passadas cada vez mais desfocadas e distantes das quais não me consigo aproximar. E que já não distingo!

Afundo-me rapidamente até que elas desaparecem.

Tudo está agora mais escuro e o oxigénio nos meus pulmões há muito que devia ter acabado. Sinto-me desligar de tudo e presumo que agora esteja entre estados sensoriais extremos mas aproximando-me perigosamente do mais negro de todos, o Nada…

Se pelo menos chegasse ao fundo rapidamente, talvez conseguisse ganhar impulso e subir… Mas já desci tanto… Duvido que tenha força suficiente para alcançar o topo…

Mas os meus pés não conseguem alcançar o fundo.

Paro algures no meio da escuridão, do silêncio. Sinto-me flutuar entre sombras que disparam em todos os sentidos quando tento tocá-las. Sinto-me emergir dessas sensações, protegido por algo que impede essas sombras de me envolver de forma irreversível. Por algo que me ajuda a afastar desta calma sombria, deste silêncio ensurdecedor...

De repente abro os olhos e estou à superfície. As formas recuperam o seu aspecto original, a sua cor e nitidez.

Um dia não conseguirei respirar enquanto permaneço debaixo de água, um dia não irei acordar. Um dia a minha alma será permanentemente esconjurada do meu corpo e não terei mais forças para subir à superfície!

Um dia não conseguirei lutar pelo que quero… um dia estarei tão fraco que não evitarei as sombras… um dia será o último dia…

Mas não hoje...

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Um "Obrigado" diferente


Depois de uns dias fora regresso mais vazio que nunca...
As palavras deviam surgir em catapulta depois de momentos maravilhosos e carregados de boas sensações. Mas não, estou vazio, baço e bloqueado!

Foram dias cheios. Cheios de belos momentos em família e de viagens na melhor companhia. Estradas sem indicações foram percorridas, locais desconhecidos descobertos. Quase sempre ao acaso fomos andando sem saber muito bem para onde nos dirigíamos. O principal motivo era descobrir um pouco mais de cada um de nós...

E essa foi, sem dúvida, a melhor viagem.

Os locais, alguns deles deslumbrantes, apenas deram ao quadro um fundo mais agradável porque, como até tu própria já deves saber, para mim importam as pessoas.
O vinho, os restaurantes, o hotel, as tascas, os rios, as pontes, a luz, os sons, os passeios, os cavalos, as vacas, as rochas, as escadas e Tudo! Difícil ser melhor...

Fui para me tentar aproximar de algo que não posso ter, vim com a certeza que estava errado. Não o sabia, mas fui para te conhecer, para passar dois dias fantásticos com uma pessoa extraordinária. Algo tão óbvio que me custa a perceber que haja quem não o/te perceba...

Não há momentos perfeitos a não ser quando nós os entendemos como tal. E esta amizade é perfeita desde o momento em que começou. E começou a dizer "Adeus" (até breve?) a alguém e a dizer-te "Ola" a ti. Impossível substituir ou confundir sensações tão diferentes apesar de igualmente intensas, mas tens em mim um sincero admirador!

Não te agradeço estes dias porque também não quero que o faças, foi recíproco, mas tenho de te agradecer pelo teu espírito, pelo teu carácter, pela tua generosidade e pela tua forma de ser e estar louvável. Por isso o mínimo que podia fazer era dar-te o mesmo de mim...
Uma amizade não se baseia em momentos supostamente perfeitos, mas no carinho, respeito, amor e sinceridade!

No passado não percebi isto tão claramente como agora e isso custou-me. Há pessoas que merecem isso, no mínimo! És, desde que te conheço, uma dessas pessoas :)
Por isso te deixo este mimo (algo que nem é muito comum em mim) e te peço que continues assim, extraordinária...

Gosti Voninha

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Sleep




The enemy is after me again
Afraid of the sea and what’s down there
I need to sleep
It’s been a whole week

Cos tears keep falling into my pool
Bright lights driving right into me cold
I need to sleep
It’s been a whole week

Cos tears keep falling into my pool
Bright lights driving right into me cold

My bones keep breaking
Tearing me away from the quiet
The silence of my soul, of my soul from the quiet

Night time, gruelling, just time to waste
Heights they kill me, leave scarring on my face

Cos’ I never, ever, ever fall into sleep?
And I’ve never ever ever felt so weak
Cos’ tears keep falling into my pool
Bright lights driving right into me cold

My bones keep breaking
Tearing me away from the quiet
The silence of my soul, of my soul from the quiet

I wanna fall down (Repeat x 5)



Para todos os que não conseguem dormir. Para todos os que são assombrados e perseguidos por fantasmas do passado que teimam em não desaparecer. Para todas as almas perdidas que não se encontram. Para a inquietude, a impaciência, o desassossego e a saudade. Para tudo e para nada...

Porque a vida muitas vezes não nos deixa adormecer e precisamos de silêncio. Um silêncio que não é causado pelo barulho exterior mas pelo ruído constante que não pára dentro da nossa cabeça. Que nos atormenta ao ponto de nos impedir de virar para o lado, fechar os olhos e dormir. Sentimentos intransponíveis de incerteza, de mágoa, de angústia. Tão sombrios que nos impedem de pensar com clareza de tal forma que mergulhámos num estado de insalubridade incontornável, impedindo-nos de respirar normalmente e do qual parecemos não conseguir sair...

O nosso lado taciturno impera. As noites são longas e os dias sombrios. A expressão baça e o olhar distante são sintomas de um mal maior. As imagens sucedem-se na nossa cabeça como contas de um rosário nas mãos de uma devota. Contemos tudo dentro de nós mas o aperto sufocante no peito é cada vez maior e avança imparável até ao ponto em que será impossível de estancar...


Porque inevitavelmente todos sentem, num determinado momento, uma sensação de impotência perante o lado mais negro da nossa alma e precisámos dormir, seja para esquecer, por cansaço ou pela fé num dia melhor, deixo esta extraordinária música e a certeza que, no fim, tudo acabará Bem...


"The enemy it's after me again..."

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Fuck You

Fuck You!
Who, me? No, YOU!!!

Quem nunca teve vontade num ou outro momento de mandar foder alguém, alguma coisa ou TUDO?...

Todos nós temos um pequeno ou grande diabo dentro de nós, um pequeno Hitler, um pedaço de alma sombria capaz de sobressair a cada momento de maior stress ou quando algo mexe num nervo mais sensível.
Creio que é por esse motivo que nos protegemos ou escondemos atrás de hábitos, rotinas, de um Mundo que não é o nosso apenas para fugir de problemas que não queremos ter como nossos!

Construímos a nossa vida a volta de conceitos tão redundantes como casa, trabalho, carro e “estabilidade” social! Sufocamos perante isso de tal forma que, enquanto não atingimos essa suposta estabilidade, não descansamos.
Atingir o patamar de segurança pressupõe um status social que, em maior ou menos grau, nos permita ser vistos como modelo comportamental dentro do meio onde estamos inseridos!
Nem que para isso tenhamos de nos manter em coma de sensações até que passe mais um dia e a nossa posição não saia beliscada nem seja propícia a qualquer tipo de consideração negativa por parte dos respeitáveis juízes da nossa praça!

Temos a maravilhosa capacidade de ser muito “quid pro quo” em relação a tudo e de fugir ao real significado das coisas. Mergulhamos numa espiral incomensurável de objectivos e numa parcimónia tal que o máximo a que podemos aspirar é chegar ao último dia e sermos iguais a todos os outros, pondo muitas vezes em causa algo tão valioso como a capacidade de sentir, de viver as pequenas coisas e, pior que isso, hipotecar a nossa identidade!

Sou tudo menos o estereótipo do Homem comum, nunca serei um modelo de comportamento nem exemplo nesta sociedade exangue e descaracterizada. Tentarei viver sempre à margem desses “valores”. Serei sempre considerado um vagabundo, uma perda social! Viverei ensimesmado no meu Mundo inteligível de sensações provocadas pelo meu pequeno universo de cores, sons, cheiros, luz e merdas que não interessam a mais ninguém senão a mim!

“Pray to God I can think of a Nice thing to Say, but I Don’t think I can, so Fuck you anyway”…

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Vagabundo


Numa terra de vagabundos o Tempo tende a pregar-nos partidas e a confundir-nos.

Há pouco tempo atrás estávamos a sonhar, de repente estamos bem acordados para a realidade. É uma ressaca permanente. Esses foram os melhores tempos, “quem me dera” que alguém me tivesse dito!

Momentos passaram em claro, oportunidades foram perdidas, corações despedaçados. Tudo isto para ter consciência de algo tão simples e tão claro que se resume a uma frase “Para onde vamos?”

Todos os outros seguem sem mim enquanto me afogo num mar de conquistas insignificantes. Não faço ideia de como cheguei até aqui, tenho apenas memórias fugazes do que foi, muitas delas truques da minha mente, e uma ideia vaga de como devia ter sido.

Há coisas que preciso perceber, para meu bem. O tempo não pára, o fosso aumenta e a distância obriga a medidas urgentes. Não vou ter muitas mais oportunidades da vida.

Apesar disso aqui estou eu, sem saber para onde vou!

O que me resta? Abrir os olhos, olhar em volta e escolher o caminho que julgue ser o certo. Ou pelo menos aquele que me leve para longe do que não posso ser, que acabe com a ressaca permanente e me faça mergulhar de novo num sonho profundo para não mais acordar…

AT - You Are My Sister

Não sou uma pessoa dada a exteriorizar emoções nem a expo-las de forma óbvia mas este post é só para duas das mais importantes mulheres da minha vida: as minhas Manas!
Até agora fui fácil de aturar mas daqui para a frente será infinitamente pior! Obrigado pela paciência :)

The Atrocities


Antes de mais BOA SEMANA!!!

Depois de uma semana de ausência motivada por muitos e bons copos de vinho tinto estou de volta mais ressacado que nunca! Pelo meio eu próprio fiquei surpreendido com os posts com "bolinha" que fui deixando aqui! A meu favor tenho o facto de não me lembrar de nada daquilo, deve ter sido escrito algures entre garrafas de vinho tinto, vinho do Porto ou, mais recentemente, aguardente com mel (com os cumprimentos da Tasca da Aldeia da Pena)!!

Ora, como este blog tem tido visitas recorrentes de nobres membros da minha família que sempre me viram como um puritano convicto e defensor de bons costumes foi naturalmente com surpresa e evidente choque que as últimas postagens foram recebidas.

Para minorar os danos causados venho hoje falar de Religião! Dessa enorme instituição que é a Igreja e que, a seguir às farmácias, mais dinheiro "saca" à nossa terceira idade!

Como todos sabem o Papa Bento XVI (Ratzinger soa a nome de veneno para ratos) vem a Portugal. Sei o que qualquer leigo sabe a esse respeito porque, além de não fazer qualquer intenção de ir vê-lo, não vejo muita televisão nem acompanho as notícias, principalmente as que não me interessam! Ora, mesmo desligado dessa realidade é impossível não saber disso! Há coisas que mesmo não querendo acabam por chegar até nós e ficar agarradas ao ouvido como música pimba!
Seja por conversas no café, por folhetos nos jornais, anúncios na net ou, mais recentemente, com a distribuição de um livro sobre os Papas completamente gratuito com o jornal de maior tiragem em Portugal!! Benditos fiéis... A fé pode não mover montanhas mas move muito dinheiro!!

Respeito a fé e as crenças de cada um mas não se pode simplesmente esquecer que a "santa" Igreja é responsável por muitas das maiores atrocidades de que "reza" a história! O mundo católico é muito célere a condenar o fundamentalismo Islâmico quando eles são uns "anjinhos" no que respeita a actos condenáveis contra a Humanidade. Desde a "caça às bruxas" nos tempos da Inquisição em que pessoas eram queimadas vivas com uma sentença tão banal como "crise de fé" (de louvar a celeridade da (in) justiça) até aos mais recentes casos de abusos de menores que, em maior ou menor grau atingiu o Mundo, muitos foram as atrocidades cometidas pelos respeitáveis senhores de batina!

E mesmo agora, depois de provas irrefutáveis, documentadas e até confissões em nome próprio vêm ilustres figuras da igreja afirmar que tudo não passa de calúnia e tentativas desesperadas de desacreditar a igreja (não é preciso, vocês estão a fazer um excelente trabalho)!!
Não basta um concílio de Trento ou um pedido de desculpas público do Papa para que tudo volte ao normal. É preciso punições severas e extremas! E temo que qualquer punição seja pequena para algo tão horrendo como é a pedofilia! E aqui não envolvo apenas a igreja, envolvo todo e qualquer cobarde capaz de "roubar" a inocência de uma criança e capaz de destruir uma vida!

Mas, por tudo o que a igreja "representa" (ou pelo menos assim querem fazer crer), estes crimes ganham uma proporção ainda mais hedionda! Infelizmente a culpa não está apenas na Igreja, está também nos (fundamentalistas) dos pais que cegamente confiam na instituição igreja para educar os seus filhos! Para os formar! Para lhes incutir os valorosos ensinamentos da doutrina cristã!
Eu cresci como cristão mas a partir do momento em que comecei a perceber o que a Igreja realmente significava que mudei muito a minha forma de pensar. Porque não acredito num ensinamento imposto e muito menos num que nos é "vendido" sob a forma da perfeição suprema! Reconheço aspectos positivos na religião e na influência (exagerada) que exerce na sociedade mas muita da sua força está no aproveitamento da fraqueza de espírito generalizada e no seu (suposto) papel redentor.

Acreditar em algo só pode ser bom quando se consegue ter discernimento suficiente para reconhecer igualmente qualidades e defeitos e, essencialmente, quando isso serve apenas para nos ajudar a encontrar um caminho e não para percorrê-lo por nós! Tal como não se pode condenar a Igreja por todo o mal do Mundo tambêm não se pode ilibá-la das atrocidades cometidas ao longo dos mais de dois mil anos de existência...

segunda-feira, 19 de abril de 2010

É lindo não é?



1) Glande do clitóris

2) Corpo cavernoso

3) Crus clitoris

4) Abertura uretral

5) Bulbo do vestíbulo

6) Abertura vaginal






E o mistério foi finalmente revelado :))))

Aí está o "Pequeno Homem no Barco"!!!

Andar por qualquer um dos referidos já é bom mas um trabalho bem feito requer minúcia, dedicação, total desinibição e, normalmente, passa primeiro por outras áreas que não esta! Jogos mentais, de sedução e erotismo e, essencialmente, fazer uma mulher sentir-se bonita, desejada, amada pode fazer transbordar o rio!

Haverá maior satisfação que essa??!!

Little Man on the Boat


Estava uma quente e harmoniosa noite de Verão mas eu já não me sentia tão fresco e disponível há muito tempo. Sentia-me envolvido pelas mais suaves e sensuais cuecas de renda, o que era óptimo, pois a vagina na qual me elevo é quente e gulosa, permitindo-me assim respirar.

O jantar decorreu de forma agradável e divertida. Os sucessivos copos de vinho ajudaram a um total desprendimento de preconceitos e pressentia que talvez hoje pudesse ser recompensado pelo habitual sufoco que os confortáveis lábios vaginais me impunham! Senti que a minha portadora (chamemos-lhe assim) se desinibia a cada palavra, o que aliás se verificava a cada impulso que chegava até mim através do seu corpo. Pelo tom de voz do seu acompanhante parecia-me recíproco.

Depois do jantar fomos a um pequeno bar. A música não muito alta ajudava a manter o clima de sedução iniciado momentos antes. O tom de conversa era agora mais íntimo, mais cúmplice. Como esperado, o calor à minha volta começava a aumentar, abaixo de mim um pequeno caudal de lava começava a formar-se. Iria o vulcão entrar em erupção?

Quando saímos sentia-me asfixiar e nem a curta saia nem as pequenas e rendadas cuecas me permitiam desembaraçar desta sensação que me deixava cada vez mais sensível ao toque e satisfatoriamente erecto! As contracções à minha volta eram cada vez mais fortes e sucediam-se a um ritmo impressionante. Preciso ser tocado, o roçar constante das pernas é insuficiente…

Quando chegamos a casa desesperava por um toque. Uma língua suave, um pénis erecto, qualquer coisa!!!

A pequena saia convidava a um trabalho rápido e eficaz mas ele tinha outros planos! Despiu-a devagar, apalpou-a vagarosamente e beijou-a pelo corpo todo como se estivesse a correr a maratona quando se impunha o ritmo dos 100m.
Senti os seus dedos várias vezes por perto, tão perto que quase os tocava. A pequena saia já saiu, as cuecas rendadas já encharcadas deslizavam agora pelas suaves e bem depiladas pernas da minha portadora. Todas as partes que me envolvem entravam em completa ebulição! Eu estava completamente erecto e mais que pronto para entrar em acção! Mas não o via por perto. Continuava nos lábios, pescoço, ombros!

- Vamos, desce!
E ele começou a descer!
- Finalmente!

Demorou-se um pouco no peito mordiscando alternadamente os há muito duros e salientes mamilos da minha portadora.

- Sim, isso, mas agora desce!

Beijou a barriga pacientemente (demasiado) e num ápice passou para as já humedecidas coxas!

- É agora! SOBE…

A sua língua entretém-se ao meu lado, por baixo de mim mas nunca me toca.

- Hei, aqui! Só um pouco mais acima!

A minha portadora tenta indicar-lhe o caminho mas ele teima em não sair do sítio. Ela desliza devagar para que ele suba até mim mas ele acompanha o movimento permanecendo no mesmo local. Eu estico-me o mais que posso mas o máximo que consigo é sentir a sua respiração!

Passam-se minutos mas sem sucesso. As contracções começam a ser mais fracas e o caudal digno de ser comparado a um Nilo transformou-se num pequeno riacho. A esperança de que ele pudesse ter um GPS enfiado no rabo que pudesse usar como recurso desvanece-se no momento em que ele sobe de novo e se prepara para usar a sua eficaz tocha. Sim, porque o fogo há muito que se começou a extinguir!

Sinto algo avançar sob mim! Não é uma tocha, quanto muito um pequeno fósforo rosado na ponta!

- Isto?...

Quase consigo senti-lo entrar abaixo de mim, primeiro devagar, depois mais rápido. Sinto apenas o seu corpo roçar-se em mim mas não o suficiente e neste momento já estou irritado! E de repente... já está! Demorou mais tempo a despir-se que a vir-se!

Ele veste-se, ela vira-se para o outro lado e exclama:
– Vou descansar, tenho de trabalhar cedo…

Fico encolhido e irritado entre os meus habitualmente confortáveis lábios e a pensar que alguém devia ensinar àquele sujeito que O PEQUENO HOMEM NO BARCO está mais acima!!!
(*)

Desde que entrei nos 30 que a introspecção deixou de se tornar uma opção para se tornar numa constante!

Sendo assim aqui vão duas ou três coisas que aprendi ao longo destes pouco mais de 30 anos daquilo a que gosto de chamar Vida:


Ponto nº 1: Morrer é sempre mau para o negócio (à excepção das funerárias e de uma amiga que vende jazigos)


Ponto nº 2: Misturar negócios com prazer nunca dá bom resultado (a não ser que ela seja prostituta)


Ponto nº 3: Acordar sozinho será sempre infinitamente pior que acordar acompanhado


Ponto nº 4 (para os Homens): Quando bem executado um belo “cunilinguus” faz mais por nós que muitas outras coisas…

Ponto nº 5 (para as Mulheres): Já que ando lá por baixo seria bom ver alguns pêlos! Não uma floresta tipo anos 80, mas apenas o suficiente para saber que estou a proporcionar sexo oral a uma mulher, não a uma adolescente…

Ponto nº 6 e mais importante: Como podemos afirmar em consciência que a sociedade está a evoluir quando tratamos cada vez pior as nossas mulheres destruindo tudo o que elas têm de maravilhoso?…

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Língua Portuguesa

Criei este blog com duas intenções claras:
1ª Começar a escrever por sistema para me auto-disciplinar e criar rotinas de escrita;
2ª Para tornar públicos os meus feiticismos e devaneios constantes.

Logo após o primeiro texto recebi algumas reacções e um dos pontos em comum era o facto de, em alguns casos, não respeitar a correcta acentuação de palavras. Estou completamente de acordo e já corrigi esses erros sendo que terei esse cuidado em todos os textos que venha a escrever no futuro.
Por vários motivos mas essencialmente porque sou apologista da preservação da língua portuguesa!

Ora isto leva-me a algumas considerações relevantes acerca do tema. Desde logo pelas sucessivas tentativas de assassinato de que a Língua Portuguesa tem sido alvo. A começar nos adolescentes de hoje e a acabar nos pseudo intelectuais que acham que está na hora de mudar o acordo ortográfico em nome da evolução e da aproximação aos nossos irmãos brasileiros (porque me parece ser a única consequência imediata que isso irá provocar além do extermínio de uma das poucas coisas que ainda nos caracteriza como povo).

Podem alegar que melhora a fonética e que aproximando a ortografia à forma como falamos se darão menos erros nas escolas. Desde logo aqui surge uma questão óbvia! Com o novo acordo ortográfico os adolescentes vão automaticamente aprender a escrever sem comer as vogais, sem trocar o "ch" pelo xis? Tomando como exemplo uma composição da escola (não me processes amiga) percebe-se que a tarefa não será simples, principalmente tendo em conta que não haverá um período de transição nas escolas!

" REDAXÃO

O PIPOL E A ESCOLA'

Eu axo q os alunos n devem d xumbar qd n vam á escola.
Pq o aluno tb tem Direitos e se n vai á escola latrá os seus motivos pq isto tb é perciso ver q á razões qd um aluno não vai á escola.
Primeiros a peçoa n se sente motivada pq axa q a escola e a iducação estam uma beca sobre alurizadas.

Valáver, o q é q intereça a um bacano se o quelima de trásosmontes é munto Montanhoso?Ou se a ecuação é exdruxula ou alcalina? Ou cuantas estrofes tem um cuadrado? Ou se um angulo é paleolitico ou espongiforme?

Hã?E ópois os setores ainda xutam preguntas parvas tipo cuantos cantos tem 'os Lesiades''s, q é u m livro xato e q n foi escrevido c/ palavras normais mas q no aspequeto é como outro qq e só pode ter 4 cantos comós outros, daaaah.

Ás veses o pipol ainda tenta tar cos abanos em on, mas os bitaites dos profes até dam gomitos e a Malta re-sentesse, outro dia um arrotou q os jovens n tem abitos de leitura e q a Malta n sabemos ler nem escrever e a sorte do gimbras foi q ele h-xoce bué da rapido e só o 'garra de lin-chao' é q conceguiu assertar lhe com um sapato.
Atão agora aviamos de ler tudo qt é livro desde o Camóes até á idade média e por aí fora, qués ver???

O pipol tem é q aprender cenas q intressam como na minha escola q á um curço de otelaria e a Malta aprendemos a faser lã pereias e ovos mois e piças de xicolate q são assim tipo as pecialidades da rejião e ópois pudemos ganhar um gravetame do camandro. Ah poizé.

Tarei a inzajerar?"

Se um dos argumentos é uniformizar a língua portuguesa para dar menos erros na escola então porque não se faz uma mudança radical e se adopta a linguagem deste aluno do 9º ano que é também a forma de linguagem mais usada entre os adolescentes? Estaríamos a facilitar a vida dos pobres desgraçados que têm a terrível tarefa de aprender uma língua complicadíssima e ao mesmo tempo a honrar o tremendo esforço feito pelas nossas crianças em criar uma linguagem única e complexa ao ponto de ser quase indecifrável! Acabava-se a vassalagem aos "velhos do restelo" e rompia-se de forma corajosa com o passado!

Outro dos argumentos para a adopção do novo acordo prende-se com o facto das relações entre os países lusófonos ficarem facilitadas na medida em que uniformizará a linguagem aproximando os cerca de 250 milhões de pessoas que a CPLP engloba. Esta será, talvez, a razão mais aceitável. Apesar disso gostava que alguém me explicasse o que de tão extraordinário advém dessa aproximação?
Essa aproximação prende-se essencialmente com motivos políticos e económicos e não me parece que seja a alteração da "nossa" língua que irá melhorar as relações políticas ou desenvolver relações económicas excepcionais. As questões políticas são baseadas no respeito pelas instituicões e suas culturas (que naturalmente envolve a Língua) e as económicas naturalmente baseadas nos benefícios mútuos!

Mudar apenas porque sim não basta. Pessoalmente custa-me esta mudança porque sempre foi uma das coisas que me deu prazer, a escrita! Aprendi uma Língua que é reconhecidamente complexa mas cativante. E isto não sou apenas eu que o digo, são muitos dos supostos beneficiados com a mudança de língua, pessoas da comunidade lusófona e não só, que o afirmam!

Andamos tão preocupados com a evolução sem olhar a quem nem porquê que nos esquecemos do real significado das coisas e que algumas devem ser preservadas. Não será a Língua portuguesa uma delas?

Editors - Fall

Porque todos nós já tivemos momentos em que nos sentimos mergulhar num abismo interminável de dúvidas e medos partilho esta magnífica música dos Editors, uma canção que eu considero de fé, de vontade, de perseverança. Por outro lado, uma evidência - Planeta Terra, uma questão de sobrevivência! Fala-se demasiado sobre o que deve ser feito e faz-se muito pouco por isso.

É muito bonito ter acções como a que aconteceu há umas semanas - "Vamos Limpar Portugal" em que até o Presidente da Republica participou e o Governo aplaudiu.
Pura hipocrisia! Esse mesmo governo que tanto apaudiu a iniciativa fecha os olhos a que empresas (algumas com ligação ao estado) façam descargas de resíduos perigosos directamente para o mar e florestas. Entidades "públicas" que deveriam agir sobre estas situações recebem orçamentos de milhões para estarem caladas! Depois, de tempos a tempos, fazem acções deste género para justificar os dinheiros dos contribuintes distribuíndo t-shirts verdes e aparecendo nos media como anjinhos e defensores de causas maiores!
Limpar Portugal é impossível. Admiro as pessoas que aderiram à iniciativa e louvo-lhes a "ingenuidade" ou capacidade de perceber que mais vale pouco que nada!

Chamem-me para um "Limpar Portugal de Políticos Corruptos e Prepotência Empresarial" e eu vou na hora! Mas não poderia ser com sacos plásticos, teria de ser com camiões cisterna e incineradoras!!
Não acredito num Mundo melhor, pelo menos por enquanto. As novas tecnologias e a inovação deveriam democratizar-nos e funcionarem como ferramentas de evolução no sentido de melhorar a vida de cada um mas servem apenas para melhorar a vida de alguns e tornar todos os outros em máquinas de masturbação acéfalas!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Um dia comprido

Na sequência destes pequenos devaneios vem um bem maior. Palavras para quê, fica o texto escrito em plena sexta feira santa!!


"Inexplicavelmente (ou talvez não) hoje acordei às 6h da manhã! Não, não foi por qualquer crença religiosa associada à sexta-feira santa apesar de ter sido a primeira coisa que me veio à cabeça quando encarei a minha mãe assustada por ver algo completamente improvável. Escusado será dizer que após essa “explicação” ficou ainda mais preocupada e algo me diz que o próximo passo será mandar rezar uma missa pela minha há muito extraviada alma.

O motivo do meu desperdício de boas horas de sono é todo menos religioso. Numa frase: Mau estar causado por uma “ligeira” ressaca!
Ontem não foi um dia bom e (in) felizmente o que não faltam aqui é adegas onde afogar mágoas. É raro fazê-lo, beber para não me custar tanto a ultrapassar determinados momentos. Sou apologista do sentir em pleno, seja por que motivo for!
Apesar disso acordei renovado, com uma vontade tremenda de meter a viola no saco e partir à procura de novas melodias. Depois de um belo copo de coca-cola que desceu pela minha garganta como água em terreno árido tomei um banho, comi uma fruta e saí!

Primeiro problema de acordar tão cedo? Precisar de um café e não haver nenhum aberto às 7h da manhã! Pego no carro e saio. Tenho de fazer tempo até abrirem as tascas. No leitor de cd´s do carro começa a tocar Joy Division. Perfeito! Adoro a sonoridade densa e o som melancólico (alguns dirão depressivo) que as músicas transmitem. Sigo viagem sem destino certo, como habitualmente, se encontrar um café tanto melhor. Já com o sol a romper vou serpenteando as estradas íngremes do Douro ao longo de um rio lamacento que reflecte de forma baça as vinhas e vegetação das suas margens numa Primavera ainda tímida.

Hoje é um novo amanhecer. Sinto-o a cada minuto, a cada paragem na margem do rio. Ouço bem alto as músicas que vão tocando no leitor. Cada música conta uma história passada mas há histórias recentes que encaixam perfeitamente nas letras ou sensações melódicas de músicas passadas! Porque muitas vezes o significado de algo é aquele que nós lhe quisermos dar.
Toca agora a Decades, uma das músicas da banda inglesa que mais prazer me dá ouvir. Remete-me sempre para uma sensação de procura constante de algo perdido ou apenas não encontrado (Where have they been?...)
Já muitas vezes me fiz esta pergunta em relação a TI. Quem me dera ter-te “encontrado” mais cedo, talvez agora tudo fosse diferente. Talvez não tivesses de ir. Sinto-me ancorado a um sentimento inevitável de vazio, de inconstância. Ao viver algo no extremo da paixão somos muitas vezes atingidos por sentimentos antagónicos de desmesurada solidão, de reclusão perante sensações próximas do mágico, do perfeito. Tento afogar estes pensamentos nas águas turvas do rio enquanto a música me lembra de uma temível possibilidade “…now our hearts lost forever.”

Saio do carro. O sol brilha agora um pouco mais forte mas não o suficiente para me aquecer. Em frente tenho um cruzamento, dois caminhos! Sim, dois, porque para trás não posso voltar! Indicações com vários nomes mas em nenhuma das placas está o teu…

Retomo viagem, continuo pelo caminho junto ao rio. Um sinal de fé! Toca agora “No love lost”! Quero acreditar que não, que qualquer amor acaba por se encontrar mais cedo ou mais tarde. Preciso acreditar…
Atmosphere! A sonoridade desta música remete-me sempre para um sonho. Por dois motivos, o primeiro tem a ver com a melodia bucólica, pura, quase espiritual. O segundo pelo que desde há duas semanas desejei que não acontecesse (don’t walk away…).
Infelizmente não podia evitá-lo. Espero não me arrepender eternamente de nem sequer ter tentado, acreditei e apesar de tudo continuo a acreditar que tinha de ser assim! Por isso este aperto é cada vez maior e irá continuar a evoluir até se transformar numa sensação de vazio absoluto.
E, porque o alinhamento deste disco parece ter sido feito com base em sensações similares às que tenho sentido ultimamente, acaba com “Dead Souls”, com frases tão contundentes como “Someone take these dreams away…”!
Sonhos que me assaltam durante o dia, sombras constantes do que podia/devia ter sido, do que foi…
Sinto a escuridão enublar o meu ser, incompleto, deslocado e cada vez mais perturbado. Uma alma perdida, é o que sou.

Acelero até começar a perder a nitidez da estrada, das vinhas, do sol. Tudo me parece de tal forma em sintonia com a água turva e lamacenta do rio que já não os distingo. Sinto-me atrair pelos reflexos na água e envolver pela sensação de ansiedade típica de quem está prestes a chegar a um destino incontornável (Keep calling me…).
Aí mergulho! Sinto-me afundar em todos os meus medos, dúvidas, sinto-me mergulhar na minha própria angústia e ser puxado sem resistir para o fundo do nada. A música começa a soar mais baixo, distante, até que desaparece e dá lugar a um silêncio perturbador acompanhado de um cinzento cada vez mais sombrio, cada vez mais desligado de um Mundo que deixou de ser meu!

E no momento em que já desistia e me sentia adormecer salto para um outro universo, para um outro Mundo, para retomar um caminho incerto, imprevisível.
Vou seguir outro caminho e esperar que um dia o Mundo que foi o meu durante pouco mais de uma semana se cruze com este e se fundam num só. E aí não deixarei que ninguém nem nenhuma viagem impeçam este Mundo de ser meu!"

Joy Division - Decades

Joy Division - Dead Souls (1979)

Dead Souls


Como não poderia deixar de ser (podia mas não quero) começo com música.
Para todos aqueles que gostam de Joy Division e não só.
Para todos os que se sentem perdidos num determinado momento.
Para todos os que apenas sentem ser diferentes...
Dead Souls e Decades são duas das mais fascinantes músicas de Joy Division.
Enjoy it...